“A ditadura militar morreu?”


A edição 44 da Revista Adusp foi lançada dia 16 de Abril, às 18 horas, no auditório Abrahão de Moraes do Instituto de Física, com debate sobre o tema “A ditadura militar morreu?” Os professores Fábio Konder Comparato (FD), Gerhard Malnic (ICB) e Maria Victoria Benevides (FE) foram os debatedores, e a coordenação coube ao professor João Zanetic (IF).

O título do debate é o mesmo da revista, que aponta, em diversas reportagens e artigos, uma série de legados problemáticos da ditadura militar (1964-1985) – desde a impunidade dos agentes da repressão política até a mentalidade da cúpula das Forças Armadas, a qual “não hesita em colocar-se acima da sociedade, ignorando decisões judiciais, resistindo ao poder civil e insistindo em manter sob tutela partes do Estado brasileiro”, como assinala o editorial da edição 44.

Ditadura não morreu

Ditadura não morreu

Edição eletrônica integral (3.72 Mb)

A Revista Adusp é uma publicação trimestral da Adusp voltada à discussão dos principais temas brasileiros da atualidade. É de responsabilidade de uma comissão editorial independente, formada exclusivamente por docentes da Universidade de São Paulo.

A reportagem sobre a perseguição da Aeronáutica aos controladores militares de vôo que realizaram uma greve de zelo em 2007, perseguição que se traduziu em prisões, condenações e expulsões, é um dos pontos fortes da edição. Outros destaques: o reencontro de ex-alunos da USP, quarenta anos após a invasão do Crusp por tropas do Exército e da Força Pública; a homenagem da Faculdade de Medicina a oito professores que foram exonerados ou perseguidos pelo regime militar; a entrevista com o ministro Paulo Vannucchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH).

Outras matérias da revista registram a movimentação existente na sociedade brasileira, nos dias de hoje, realizada por ex-presos políticos e por familiares de mortos e desaparecidos (e que encontra acolhida em alguns setores do Estado), em busca de punição para torturadores e assassinos; de reparações para as vítimas; e do direito à memória, para que se conheça a realidade do período ditatorial.

Debatedores

O professor Comparato é ativo protagonista desse movimento por justiça e verdade, entre outros motivos por atuar como um dos advogados da família de Luis Eduardo Merlino (jovem jornalista assassinado pelo DOI-CODI em 1971), em processo judicial para que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra seja declarado torturador.

A professora Maria Victoria, por sua vez, é uma ativista da educação em direitos humanos; integra o Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos, ligado à SEDH, e faz parte da diretoria da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Direitos Humanos.

Recentemente, ao contestarem editorial da Folha de S. Paulo que qualificava o regime militar brasileiro como “ditabranda”, os professores Comparato e Maria Victoria foram alvo de ofensas do jornal. Ao atacar docentes de grande prestígio acadêmico e reconhecida dedicação à luta democrática, a Folha deu um mau passo que mais tarde tentou desfazer, ao admitir parcialmente seu erro, após manifestação de protesto à sua porta.

O professor Malnic não se envolveu diretamente com política nos chamados anos de chumbo, mas foi esse distanciamento que lhe permitiu ajudar pessoas que eram caçadas pela repressão política. Entre elas, o então estudante de medicina Paulo Vannuchi.

Fonte: http://www.adusp.org.br/noticias/Informativo/278/inf27803.html

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