Uma data histórica: 100 anos do Dia Internacional da Mulher!


Mulheres votam

Hoje, 8 de março de 2010, Dia Internacional da Mulher, é uma data histórica: comemoramos um século em busca da igualdade de direitos entre homens e mulheres e de combate às violências e discriminações. Mulheres à frente do seu tempo vislumbraram a necessidade de uma data para evidenciarmos valores como solidariedade, diversidade, justiça social e igualdade.

É um dia em que as mulheres são reconhecidas por suas conquistas sem levar em conta as divisões, quer sejam nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas. É uma oportunidade para rever a história das lutas e realizações passadas – e mais importante – olhar para frente, para o potencial inexplorado e as oportunidades que aguardam as futuras gerações de mulheres.

O Dia Internacional da Mulher, celebrado hoje, tem origem nas manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no início do século 20, na Europa e nos Estados Unidos.

A ideia da existência de um dia internacional da mulher foi proposta na virada do século 20, no contexto da Segunda Revolução Industrial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina em massa, na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. As operárias em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos contra as más condições de trabalho e os baixos salários, em 8 de Março de 1857, em Nova Iorque.

Muitos outros protestos ocorreram nos anos seguintes, destacando-se o de 1908, quando 15.000 mulheres marcharam sobre a cidade de Nova Iorque, exigindo a redução de horário, melhores salários e direito ao voto.

Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada proposta da socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um Dia Internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada. No ano seguinte, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 19 de Março, por mais de um milhão de pessoas, na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.

A data de 8 de Março foi adotada pelas Nações Unidas, em 1975, para lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo.

Democracia efetiva X subrepresentação

No exame da democracia ateniense de participação restrita, os direitos políticos eram exercidos apenas pelos cidadãos (homens). Estrangeiros, mulheres e escravos não possuíam cidadania e estavam proibidos pelas leis atenienses de participar do regime democrático. Essa democracia escravista forneceu as bases econômicas e políticas para o desenvolvimento da cultura clássica, mas é notório o lugar subalterno que ocupavam as mulheres, confinadas ao gineceu (parte da casa [oîkos] reservada às mulheres).

Foi-se a época em que elas ficavam restritas ao espaço doméstico e sem quaisquer direitos. Nos dias atuais, as mulheres já avançaram bastante em termos de luta e conquistas, que são fruto de muita organização. De maneira corajosa e ousada, as mulheres quebraram preconceitos e exigiram dignidade. No Brasil, organizadas nos partidos políticos, sindicatos, escolas e no movimento social, elas foram protagonistas empunhando a bandeira da democracia. Posicionaram-se por melhores condições de trabalho, de saúde e educação para seus filhos. E hoje estão mobilizadas contra a violência doméstica.

A participação das mulheres na política

Segundo José Eustáquio Diniz Alves, professor titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, “a exclusão das mulheres da política, no Brasil, começou a mudar no dia 24 de fevereiro de 1932; neste dia, elas adquiriram o direito de voto por meio de um decreto presidencial de Getúlio Vargas. Tal conquista seria impossível durante a República Velha, já que na Constituinte de 1891 o voto feminino foi negado sob o argumento de que seria “um estímulo ao fim das famílias”.

Houve avanços, mas é lamentável constatar as desigualdades salariais entre homens e mulheres, mesmo para ocupar a mesma função. As mulheres têm a sobrecarga da múltipla jornada de trabalho, pois há questões culturais a serem superadas. A representação das mulheres nos espaços de poder também está longe do ideal. Apesar da superioridade das mulheres no âmbito educacional, elas ainda não conseguiram eliminar a defasagem em relação aos homens nas dimensões de atividade econômica e, especialmente, de empoderamento. Apesar de representarmos 51,5% do eleitorado, o Brasil é hoje o país da América Latina com menor presença de mulheres no Congresso Nacional.

Segundo artigo de Luciano Cerqueira, As filhas do Brasil, publicado no site do Ibase (26/02/2010), as próximas eleições presidenciais podem trazer uma novidade ao país: uma presidenta. Dilma ou Marina podem se juntar a Michelle Bachelet (Chile), Angela Merkel (Alemanha), Indira Gandhi (Índia), Helen Sirleaf (Libéria), Cristina Kirchner (Argentina) e outras tantas mulheres que comandam, ou comandaram, um país. Conforme constata o colaborador do Ibase, as mulheres não ocupam tantos cargos legislativos, ou ocupam poucos cargos de dirigentes em empresas privadas: “Essa ainda é uma pergunta sem resposta. Sendo as mulheres mais escolarizadas, a resposta pode ser a forte discriminação que ainda existe no Brasil e no mundo”, conclui o autor.

“As mulheres brasileiras estão prontas para comandar. Sejam empresas, cidades, estados ou países. Se formos capazes de romper as barreiras socioculturais, teremos milhares de Heloísas, Carolinas, Marinas, Fabianas, Vanessas, Joanas, Andreas, Telmas, Lisetes, Martas, Karinas etc no comando. Mas, para isso, precisamos deixar de lado o machismo e o preconceito e reconhecer o valor, a garra, a dedicação, a paixão, a ternura, o espírito de luta de todas as filhas do Brasil.”

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