Encontro Nacional de Folia de Reis recebe mais de 40 Companhias e 20 mil pessoas em Ribeirão Preto

Domingo, dia 26 de Janeiro aconteceu o 22º Encontro Nacional de Folia de Reis que recebeu mais de 40 Companhias e cerca de 20 mil pessoas em Ribeirão Preto. E nós estávamos lá.

Enquanto São Paulo completava 460 anos, sob clima tenso e pouco festivo, os amigos da Clínica do Texto resolveram participar de outra grande festa a 400 quilômetros da capital. No sábado dia 25, partiram pela manhã e chegaram ao entardecer na maravilhosa e hospitaleira cidade de Ribeirão Preto. Todos foram bem recebidos e… Depois da janta, a noite foi recheada de trocas culturais e experiências musicais. No dia seguinte, acordamos ao som da FOLIA DE REIS DE JUQUITIBA e MAGOS DO ORIENTE DE CUNHA. Veja imagens a seguir:

No dia da Festa, 26 de Janeiro, cerca de 20 mil pessoas passaram pela Praça João Rossi, na Vila Virgínia. O evento já virou uma tradição da cidade de Ribeirão Preto. Reuniu milhares devotos de grupos e companhias de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. A Folia de Reis é uma tradição religiosa e popular que ainda sobrevive em vários rincões do país. A cada ano, aumenta o número de participantes. O domingo estava ensolarado e colorido com as bandeiras e uniformes de 40 Companhias de Reis de todo o Brasil. O evento superou expectativas dos organizadores e contou com um público alegre, festivo, cantador. Muitos vieram de muito longe para cantar 7 minutos que representam a glória de todo folião de Reis.

O hasteamento das bandeiras de Nossa Senhora Aparecida, São Sebastião, Santos Reis contou com a participação de autoridades presentes e, na sequência, o público pode conferir a apresentação das Companhias de Reis e Congadas. A grande novidade na festa deste ano foi a apresentação da Companhia PRAINHA BRANCA (Guarujá/Bertioga), sob a batuta do mestre Passarinho. A falta de ensaio foi compensada pela honestidade e o poder de improvisação do grupo. Nas violas de 10 cordas, Zé Márcio e Edison da Viola, na rabeca, o multi-instrumentista Wilson Rocha, no tambor, o mestre Passarinho, Jaime no saxofone, as crianças no vocal. Não foram poucas as pessoas que se emocionaram e aplaudiram com gosto a apresentação da Prainha Branca.

Ano que vem tem mais!!!

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A INFORMAÇÃO COMO “QUESTÃO INEXORÁVEL”

Entre os dias 23 e 26 de outubro de 2011, aconteceu o XII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação – XII ENANCIB 2011, na Universidade de Brasília (UnB, DF), cujo tema foi: “Políticas de Informação para a Sociedade”. Na ocasião, apresentamos o trabalho intitulado INFOEDUCAÇÃO QUILOMBOLA: UMA PERSPECTIVA DE DIÁLOGO ENTRE SABERES”. Disponível em http://estacaomemoriacamburi.files.wordpress.com/2012/02/sdc13111.jpg

Nos intervalos de apresentação de trabalho, o editor da http://estacaomemoriacamburi.wordpress.com/ – Edison Santos – conversou muito sobre Informação, Filosofia, Epistemologia e textos de Mário Ferreira dos Santos, com o jovem pesquisador Robson Ashtoffen e o professor Marcos Mucheroni; ambos trabalham em parceria no Núcleo de Pesquisa em Produção Científica (NPC), do Departamento de Biblioteconomia e Documentação (CBD), o Projeto O Pensamento Vivo da Informação que trata do atual e complexo tema da Informação.

Segundo o amigo e pesquisador, Robson Ashtoffen, que entrevistou o Prof. Dr. Rafael Capurro, fundador e diretor do Informational Center for Information Ethics, a Informação deve ser pensada como uma questão, sobretudo, quando é absorvida como o foco principal das mudanças sociais e de múltiplas visões atualmente, no Brasil e no mundo. Ashtoffen vem pesquisando e construindo uma forma teórica e prática sobre o tema Informação na sociedade, a partir de uma visão ontológica, que corresponde ao acesso e a conseguinte possibilidade de transformação social, pensando-se no “quem” e não no “que”. O projeto da série Pensamento Vivo da Informação se deu na oportunidade em que o pesquisador viajou para Portugal, onde permaneceu por um semestre, ao longo do qual pode entrar em contato com professores europeus e desenvolver entrevistas, cujos resultados podem ser conferidos nos links abaixo:

http://www.youtube.com/playlist?list=PLgXB4DCDYuTCaa7b9ODnxQy6OgeuiO5hS

http://www.youtube.com/playlist?list=PLgXB4DCDYuTC9I1ZWWLoQyCGp8hHX4naF

http://www.youtube.com/playlist?list=PL0AB36714A436CDF6&feature=view_all

http://www.youtube.com/playlist?list=PLgXB4DCDYuTDQOzcnEI70p0VdPka0l2oG

O intuito final do trabalho é constituir um corpus para análise da complexidade do termo Informação e sua complexidade como conceito, “todavia, inexorável para o nosso tempo”.

Fonte: http://www3.eca.usp.br/noticias/ex-aluno-da-eca-desenvolve-pesquisa-sobre-informa-o

Os números de 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

600 pessoas chegaram ao topo do Monte Everest em 2012. Este blog tem cerca de 12.000 visualizações em 2012. Se cada pessoa que chegou ao topo do Monte Everest visitasse este blog, levaria 20 anos para ter este tanto de visitação.

Clique aqui para ver o relatório completo

Produtos culturais: Oficina de Memória e Xilogravura, Cambury

Ação cultural agita a semana de CONSCIÊNCIA NEGRA em Cambury

O mês de novembro foi bastante movimentado no espaço cultural do Quilombo do Cambury. Entre os dias 15 e 20 de novembro, aconteceu a Segunda Edição das OFICINAS DE MEMÓRIA E XILOGRAVURA, na Escolinha Jambeiro, localizada na sede da Associação Quilombola de Cambury – Ubatuba, SP.

As atividades pedagógicas foram preparadas com antecedência e fizeram parte de uma ação cultural mais ampla, com o intuito de comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra e a inauguração do novo espaço físico da Escolinha Jambeiro, que foi reformada com a ajuda e o entusiasmo de três jovens quilombolas (Ueliton, Alex e Vaguinho); a verba do MinC previa a renovação do telhado, a reforma da cozinha, acabamento e pintura novos.

As “Oficinas de Memória: Arte, Cultura e Informação” são práticas infoeducativas que visam a estimular a interação, o diálogo e a aprendizagem de novos saberes entre idosos e crianças. O evento, aberto ao público em geral, contou com a participação de vários educadores (Valter, Wilson, Renata, Otávio e Edison), que trocaram experiências e saberes com os jovens (quilombolas e caiçaras), visitantes e outros amigos da comunidade quilombola de Cambury.

O dia 15 de novembro foi reservado para a preparação do ESPAÇO INFOEDUCATIVO, organização de mesas, cadeiras, materiais pedagógicos, telão para projeção de audiovisual, lousa, mural de fotografias, livros, internet, entre outros recursos, que deveriam ficar à disposição dos participantes. Nesse mesmo dia, à tarde, o Sr. Salustiano (68 anos, pescador, agricultor e quilombola) gravou depoimento, contando algumas histórias, passagens de sua vida e outras curiosidades do tempo em que largou a roça para trabalhar na indústria da pesca. No dia 16 de novembro foi exibido o filme Canoa caiçara.

Assista o filme – http://estacaomemoriacamburi.wordpress.com/historia/fazendo-canoa/

Com dez anos de experiência na arte de fazer e de ensinar Xilogravura, o educador Valter Luz deu início às Oficinas, enfatizando a importância dos relatos orais dos idosos, os fazeres tradicionais, pesca, artesanato, casa de farinha, canoa caiçara etc., para em seguida dar início à Jornada Cultural, com a Oficina de desenho básico: http://estacaomemoriacamburi.wordpress.com/cursosoficinas/desenho/.

Oficina de xilogravura: gravação e impressão

Houve contação da história da xilogravura e apresentação dos materiais usados nesta técnica. Os participantes foram orientados a buscar inspiração nas referências locais: paisagens, fauna, flora, seres humanos em suas ações e objetos que manipulam, utilizando as noções de desenho básico, desenvolvidas na oficina anterior. Mais detalhes da Oficina de Xilogravura podem ser obtidos nos links:

  • Galeria de imagens: registros visuais – (em breve)

Diálogo com a música: construindo instrumentos a partir de materiais recicláveis

Aconteceu a atividade, e as crianças participaram, embora fossem poucas. Embora pareça desimportante, a construção do Kazu, um brinquedo simples, de garrafa pet e saco plástico, tem importância e simbologia marcantes: por um lado se lida com o reaproveitamento de materiais descartados; por outro, remete aos sons da boca: fala, expressão, opinião. Indicadores disso foram a timidez, a princípio: as crianças e os jovens ficaram acanhadas para tirar sons quando estavam perto de nós e dos (das) colegas, mas em casa, ou sozinhas, aventuraram, aprenderam, e, melhor: voltaram para dar retorno, mostrar que aprenderam. Num próximo encontro podemos mostrar que é possível criar pequenas peças musicais, improvisando, com os Kazus, sonoridades que constroem músicas experimentais muito ricas. Mas o resultado será mais eficaz se nós, educadores, fizermos isso juntos, antes; pois, o maior aprendizado se dá sempre pelo exemplo. (relato de Wilson Rocha, músico e educador, 27.11.2012)

DEPOIMENTO

A visita ao Quilombo de Cambury foi muito importante: conheci um pouco a realidade daquela comunidade, desde o lado bom de viverem em plena natureza, até as dificuldades de falta de água e outros recursos, naturais, financeiros, e relativos a educação, saúde etc.

Achei importante haver ali a Escola Jambeiro, com toda uma estrutura de acesso à internet e aprendizado de informática, filmes, vídeos e discos à mancheia: não vi muitos livros, e isso é necessário. Proponho que na próxima visita façamos uma doação de livros, para a Escolinha Jambeiro ou diretamente para as famílias – ou para ambas.

Vamos pensar também na alfabetização. Mesmo que não seja possível a frequência de aulas, dá pra fazer instalações, afixar cartazes, atribuir/delegar atividades aos jovens que estudam, para que ajudem os demais a lerem. (Wilson Rocha, músico e educador)

Ao final dos trabalhos, houve a exposição dos produtos culturais:

Preparativos para a Festa de São João, no Quilombo de Cambury

 

Começam os preparativos para o mês das festividades juninas no Quilombo do Cambury, a exemplo do que ocorreu no ano passado, com a Tradicional Festa de São João, na Escolinha Jambeiro. No dia 25 de Junho de 2011, pela manhã, houve a Corrida de Canoas, e depois a premiação dos vencedores na Escolinha Jambeiro. Durante todo o dia os moradores participaram ativamente dos preparativos para a Grande Festa de São João na comunidade de Cambury, com show, bandas de reggae, barraquinhas com gastronomia típica, entre outras atrações.

Quem puder colaborar, em 2012, entre em contato. A Festa acontecerá no dia 23 de Junho.

Todos serão bem-vindos!!!

 

Veja também algumas das imagens de 2011, disponibilizadas pelo pesquisador e autor das fotos, EDISON SANTOS.

Obs.: Pede-se a gentileza de registrar o crédito das fotos, a fim de evitar problemas com direitos autorais.

Preparativos em 2011, montagem de bandeirolas coloridas no campinho da Escola Jambeiro, Quilombo Cambury

Preparativos em 2011, Escolinha Jambeiro, Quilombo Cambury

Preparação Festas Juninas em 2011, Montagem de pau de sebo

Preparação Festas Juninas em 2011, confecção de bandeirinhas

 

Bibliotecas: tradição no acúmulo e circulação de ideias

Por Andreia Hisi

A palavra biblioteca nos remete a um lugar tranquilo e silencioso, ou para alguns, a apenas um repositório de livros. Mas muito mais do que um lugar reservado a livros e leitores, as bibliotecas têm muito a dizer sobre as relações estabelecidas ao longo da história entre a cultura e as pessoas, entre a humanidade, seu conhecimento acumulado e seu legado para o futuro. A história das bibliotecas remonta à história da consolidação da civilização em seu aspecto mais fundamental, no qual os resultados dos progressos da humanidade em sua evolução social e intelectual são mantidos e perpetuados. “A ciência é cumulativa e a biblioteca tem a função de preservar a memória – como se ela fosse o cérebro da humanidade – organizando a informação para que todo ser humano possa usufruí-la”, explica Luís Milanesi, professor do Departamento de Biblioteconomia da Escola de Comunicação e Artes da USP (ECA/USP), no livro O que é biblioteca.

Desta maneira, segundo ele, a história da biblioteca é a história do registro da informação. De acordo com Ana Lúcia Merege, da Biblioteca Nacional, o conceito de “biblioteca”, apresentou significados diferentes ao longo do tempo, sem, contudo, deixar de representar um espaço de registro de informações. “O conceito de biblioteca como lugar de acumulação de registros escritos remonta à Antiguidade. As primeiras civilizações a criar sistemas de escrita foram também as pioneiras em manter bibliotecas. Na Mesopotâmia, as bibliotecas compostas por tabuletas de argila, com registros em escrita cuneiforme, existem aproximadamente desde o século V anterior à nossa era”, conta. Segundo Merege, assim como hoje, as obras eram organizadas segundo critérios rigorosos, e também havia mecanismos de consulta. “Na mais antiga biblioteca de que se tem notícia, a de Ebla, na Síria, havia extensas listas de nomes, dicionários e gramáticas. Na de Assurbanípal, a mais famosa biblioteca da Mesopotâmia, as obras eram divididas em ‘Ciências do Céu’ e ‘Ciências da Terra’, eram catalogadas e ficavam a cargo de funcionários qualificados”, aponta.

Como apenas uma pequena parcela da população sabia ler, essas bibliotecas particulares ou institucionais só eram usadas por estudiosos e, em certas civilizações, por funcionários e escribas que davam suporte à administração. “Ainda assim, pode-se dizer que o conceito de biblioteca como espaço de saber também data da Antiguidade; basta citar, como exemplo, a famosa biblioteca de Alexandria, que reunia em torno de si um grande número de estudiosos e dava suporte a debates, pesquisas e avanços científicos”, completa. A biblioteca de Alexandria foi fundada pelos primeiros representantes da dinastia ptolomaica, no século III a. C, no interior do Museion, ou templo das musas (centro de cultura grega). Sua finalidade era “concentrar em si toda sabedoria acumulada pelo mundo grego, dando a seus herdeiros domínio sobre ela”, relata Matthew Battles, da biblioteca Houghton, no livro A conturbada história das bibliotecas. Parte da mitologia que envolve essa biblioteca se deve aos relatos que ressaltavam as atividades intelectuais em torno dela, uma vez que não restou nenhuma evidência física de sua existência. “Os estudiosos do Museion comiam juntos num refeitório e toda propriedade intelectual era coletiva, modelo que seria imitado depois, na Idade Média, pelas primeiras universidades europeias.

O grau de liberdade acadêmica de que os estudiosos desfrutavam era extraordinário”, aponta Battles. “Ao patrocinar esse objetivo, os ptolomeus confirmavam a intuição essencialmente alexandrina de que o conhecimento é um bem, uma mercadoria, uma forma de capital a ser adquirido e entesourado”, conclui. Atenas e Pérgamo também sediaram grandes bibliotecas, com centenas de milhares de livros. Havia ainda bibliotecas mais modestas em Rodes e em Antioquia (atual Antakya, na Turquia). O mundo experimentou sucessivas experiências de acúmulo e organização dos livros, como a profusão de bibliotecas particulares durante o Império Romano, além de importantes iniciativas como a biblioteca de Constantinopla, no século V, com cerca de 120 mil volumes, ou as coleções medievais cristãs, mantidas em monastérios. As bibliotecas, ainda que fossem espaços de circulação do saber, eram centralizadas em torno da relação entre governantes e intelectuais. “Em tempos de guerras, infortúnio ou decadência, porém, essa centralização tornava-se um problema, pois toda a literatura contida ali estaria condenada a ter o mesmo destino que a biblioteca”, explica Battles. Contudo, mesmo que algumas bibliotecas se perdessem através de guerras, a tradição estabelecida se manteve. Na Idade Média surgiram, na Europa, importantes bibliotecas nos centros de poder político-econômico, como as bibliotecas italianas de Florença (Laurenziana, arquitetada por Michelângelo), Veneza (Marciana), do Vaticano (fundada pelo Papa Sisto IV), de Milão (Ambrosiana), além das bibliotecas de Roma, entre elas a da Universidade Sapienza (uma das mais antigas do mundo).

As bibliotecas monásticas, em particular, tiveram um papel fundamental, pois além de manter livros que eram essencialmente religiosos, também contribuíram para a perpetuação e preservação de textos da Antiguidade. Os monges beneditinos praticavam o oficio de scriptoria, ou seja, realizavam cópias de livros que se tornaram raros no Ocidente. Embora os monges censurassem certas obras ou passagens, esse trabalho permitiu a perpetuação de obras antigas. O mosteiro de Monte Cassino, próximo a Roma, foi provavelmente o maior do Ocidente, onde se copiou aproximadamente três mil volumes. Na França, a Biblioteca Real (atual Biblioteca Nacional), foi criada por Carlos V, em 1368, e ficava no palácio do Louvre, com aproximadamente 1,2 mil volumes. Mas a biblioteca pública francesa mais antiga é a Mazarine, aberta ao público desde 1643. Ela se origina como coleção particular do cardeal Mazarin e foi consideravelmente expandida sob a tutela de Gabriel Naudé, autor do primeiro tratado de biblioteconomia moderna. Para garantir a sua manutenção, Mazarin integrou-a ao Collège des Quatre Nations, destinado à educação de jovens das quatro províncias que estavam sob sua regência e que, mais tarde, tornaria-se o Institut de France (reunião das academias francesas de letras, belas-artes, ciências e ciências sociais).

Frente da Biblioteca Mazarine, em Paris. Foto: Wikimedia Commons.

Além dessa incipiente abertura das bibliotecas ao público, um marco histórico fundamental mudaria para sempre o alcance das obras. “A adoção do formato códice em substituição ao rolo já havia facilitado muitíssimo a circulação de informação nos primórdios da cultura cristã. Mas o surgimento da imprensa, no século XV, é o grande divisor de águas, pois permitiu uma multiplicação de obras, de sua circulação, e foi, consequentemente, vital para o surgimento e o incremento de bibliotecas”, diz Merege.
De acordo com ela, ainda que parte do conhecimento tenha sido transmitido ao longo do tempo de forma oral, as bibliotecas tiveram um papel crucial na formação da cultura ocidental. “Tanto as bibliotecas da Antiguidade, quanto, mais tarde, as da Idade Média e da Moderna foram repositórios de saber e cultura sem os quais boa parte dos conhecimentos acumulados pela humanidade teriam sido perdidos. O Renascimento, por exemplo, só foi possível graças à preservação de textos de filósofos e cientistas clássicos, retomados séculos mais tarde”, ressalta.

No Oriente, segundo Merege, não era diferente, e o conhecimento acumulado dos orientais influenciou, inclusive, as grandes navegações, que tomaram impulso na Península Ibérica a partir do século XV. “Durante séculos ela esteve sob o domínio muçulmano, e pôde aproveitar a tecnologia e as instituições – avançadíssimas para a época – que eram mantidas pelo Islã. Em Córdoba e Granada, assim como em Bagdá, havia hospitais, observatórios e bibliotecas, e o número de leitores era muito maior do que no restante da Europa”, afirma. Merege destaca, assim, a importância dos livros e das bibliotecas para as civilizações do Oriente. “Na Índia, nos séculos VIII-V antes de nossa era, existiam universidades que mantinham extensas bibliotecas de obras escritas sobre folhas de palmeira; a China e o Japão também têm livros e bibliotecas milenares. O papel surgiu, inclusive, na China e foi trazido para o Ocidente pelos muçulmanos. E em todos esses países existe uma tradição que mantém e valoriza a cultura escrita, os livros e as bibliotecas”, conclui.

Fonte: http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=65&id=822

ENANCIB no RJ: Inovação e inclusão social: questões contemporâneas da informação, 25 a 28 de outubro

O Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), desenvolvido através do convênio entre o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) do Ministério da Ciência e Tecnologia  (MCT) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é o anfitrião do XI ENANCIB – Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação – a ser realizado no Rio de Janeiro de 25 a 28 de outubro de 2010 – ano da celebração dos 40 anos de existência do PPGCI/IBICT.

Local: Rio de Janeiro, RJ – 25 a 28 Outubro 2010

O tema do XI ENANCIB, “Inovação e inclusão social: questões contemporâneas da informação”, procura refletir uma preocupação atual dos programas da área.

Este tema é relevante por usar dois pólos importantes sobre os quais transitam as atividades da área Ciência da Informação, no momento. Inovação e Inclusão Social são hoje fatores chave para a prosperidade de países, regiões e organizações. O tema é estratégico em várias áreas do conhecimento, desdobrando-se em múltiplos aspectos: tecnológicos, gerenciais, mas também sociais e políticos.  Entendida como um processo, a Inovação se desenvolve por meio da geração de conhecimentos, o que suscita questões muito próximas à Ciência da Informação, como a aprendizagem, os processos de interação entre os atores, as redes de informação, organização da informação, as políticas de inovação, para citar apenas algumas.

A finalidade de juntar esses dois aspectos é a de atualizar e inovar na área da informação trazendo para o cerne da discussão a problemática de reunir os avanços técnicos e a vontade de inovar na área da informação. Lançando a problemática de reunir os avanços técnicos e a vontade de inovar nos métodos de acesso, recuperação e disseminação, criando novos instrumentos e canais de comunicação, deve-se aproveitar os aspectos inovadores da tecnologia e fazer seu repasse com a preocupação de transferir tecnologia da informação. Esse processo permitirá acelerar as modalidades de absorção de novos conceitos, evidenciando um movimento inovador. Por outro lado, criando pólos de atração para o processo informativo e dando ênfase especial ao problema de inclusão social, se cria um tripé essencial para expandir a área de influência e a transparência do processo educativo e da transferência de conhecimento, desde os mais primários esquemas até ao incentivo a retirada do bloqueio do problema de comunicação pela Internet e a aquisição de conhecimento de fácil acesso como instrumento essencial à inclusão social através de programas novos e inovadores. A preocupação de fazer chegar a todos o acesso a Internet, com conhecimento do manejo desse instrumento, permitirá alcançar a cidadania e a igualdade de acesso à informação.

Considerando os enormes desafios que as questões contemporâneas provocam, o XI ENANCIB 2010 tem como objetivo estimular a produção científica da Ciência da Informação nos temas da Inovação e da Inclusão Social.

GRUPOS DE TRABALHO

GT 1: Estudos Históricos e Epistemológicos da Ciência da Informação

Estudos Históricos e Epistemológicos da Ciência da Informação. Constituição do campo científico e questões epistemológicas e históricas da Ciência da informação e seu objeto de estudo – a informação. Reflexões e discussões sobre a disciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, assim como a construção do conhecimento na área. Coordenadora:Prof. Dra. Lena Vania Ribeiro Pinheiro (IBICT)

GT 2: Organização e Representação do Conhecimento

Teorias, metodologias e práticas relacionadas à organização e preservação de documentos e da informação, enquanto conhecimento registrado e socializado, em ambiências informacionais tais como: arquivos, museus, bibliotecas e congêneres. Compreende, também, os estudos relacionados aos processos, produtos e instrumentos de representação do conhecimento (aqui incluindo o uso das tecnologias da informação) e as relações inter e transdisciplinares neles verificadas, além de aspectos relacionados às políticas de organização e preservação da memória institucional. Coordenadora:Profa. Dra. Maria Luiza de Almeida Campos (UFF)

GT 3: Mediação, Circulação e Apropriação da Informação

Estudo dos processos e das relações entre mediação, circulação e apropriação de informações, em diferentes contextos e tempos históricos, considerados em sua complexidade, dinamismo e abrangência,bem como relacionados à construção e ao avanço do campo científico da Ciência da Informação, compreendido em dimensões inter e transdisciplinares, envolvendo múltiplos saberes e temáticas, bem com contribuições teórico-metodológicas diversificadas em sua constituição. Coordenador: Prof. Dr. Edmir Perrotti (USP)

GT 4: Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações

Gestão da informação, de sistemas, de unidades, de serviços, de produtos e de recursos informacionais. Estudos de fluxos, processos e uso da informação na perspectiva da gestão. Metodologias de estudos de usuários. Monitoramento ambiental e inteligência competitiva no contexto da Ciência da Informação. Redes organizacionais: estudo, análise e avaliação para a gestão. Gestão do conhecimento e aprendizagem organizacional no contexto da Ciência da Informação. Tecnologias de Informação e comunicação aplicadas à gestão. Coordenador: Prof. Dra. Marta Lígia Pomim Valentim (UNESP)

GT 5: Política e Economia da Informação

Políticas de informação e suas expressões em diferentes campos. Sociedade da informação. Informação, Estado e governo. Propriedade intelectual. Acesso à informação. Economia política da informação e da comunicação; produção colaborativa. Informação, conhecimento e inovação. Inclusão informacional e inclusão digital. Coordenadora: Prof. Dra. Sarita Albagli (IBICT)

GT 6: Informação, Educação e Trabalho

Campo de trabalho informacional: atores, cenários, competências e habilidades requeridas. Organização, processos e relações de trabalho em unidades de informação. Sociedade do Conhecimento, tecnologia e trabalho. Saúde, mercado de trabalho e ética nas profissões da informação. Perfis de educação no campo informacional. Formação profissional: limites, campos disciplinares envolvidos, paradigmas educacionais predominantes e estudo comparado de modelos curriculares. O trabalho informacional como campo de pesquisas: abordagens e metodologias. Coordenadora: Profa. Dra. Helena Maria Tarchi Crivellari (UFMG)

GT 7: Produção e Comunicação da Informação em CT&I

Medição, mapeamento, diagnóstico e avaliação da informação nos processos de produção, armazenamento, comunicação e uso, em ciência, tecnologia e inovação.  Inclui análises e desenvolvimento de métodos e técnicas tais como bibliometria, cientometria, informetria, webometria, análise de rede e outros, assim como indicadores em CT&I. Coordenadora: Profa. Dra. Sônia Elisa Caregnato (UFRGS)

GT 8: Informação e Tecnologia

Estudos e pesquisas teórico-práticos sobre e para o desenvolvimento de tecnologias de informação e comunicação que envolvam os processos de geração, representação, armazenamento, recuperação, disseminação, uso, gestão, segurança e preservação da informação em ambientes digitais. Coordenadora: Profa. Dra. Silvana Aparecida Borsetti Gregorio Vidotti (UNESP)

GT 9: Museu, Patrimônio e Informação

Análise das relações entre o Museu (fenômeno cultural), o Patrimônio (valor simbólico) e a Informação (processo), sob múltiplas perspectivas teóricas e práticas de análise. Museu, patrimônio e informação:  interações e representações. Patrimônio musealizado: aspectos informacionais e comunicacionais. Coordenadora: Prof. Dra. Diana Farjala Correia Lima (UNIRIO)

GT 10: Informação e Memória

Estudos sobre a relação entre os campos de conhecimento da Ciência da Informação e da Memória Social. Pesquisas transdisciplinares que envolvem conceitos, teorias e práticas do binômio ‘informação e memória’. Memória coletiva, coleções e colecionismo, discurso e memória. Representações sociais e conhecimento. Articulação entre arte, cultura, tecnologia, informação e memória, através de seus referenciais, na contemporaneidade. Preservação e virtualização da memória social. Coordenadora: Vera Dodebei (UNIRIO)

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Fórum: Informação em Saúde: pesquisas, realizações e perspectivas

Discussões em torno da criação, brevemente, de um novo grupo, para cobrir a parte referente à Informação em Saúde, que devido às ações do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e a criação do Curso de Pós Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS) trará novos mestrandos e doutorandos para juntar-se ao Grupo da ANCIB na elaboração de pesquisas nessa área. Será a primeira tentativa de discutir a área de informação e saúde e de fazer projetos para a criação desse Grupo Temático da ANCIB. Esse Fórum, que se reunirá pela primeira vez sob a Coordenação conjunta do IBICT e da FIOCRUZ discutirá o interesse desse Tema entre os sócios da Associação, e a possibilidade de ampliar o raio de ação das pesquisas tratadas nessa área.

PROGRAMAÇÃO

25 de Outubro – Segunda-Feira

Local: UNIRIO

9h00-12h00 – Credenciamento

9h00-12h00 – Fórum dos Coordenadores dos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação e áreas afins  (restrita)

9h00-12h00 – Fórum dos Coordenadores de GT  (restrita)

12h00-14h00 – Almoço

Local: CPRM

14h00 – Abertura

Prof. Dr. Emir José Suaiden, Diretor Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT)

Prof. Dr. Paulo Gadelha, Presidente Fundação Oswaldo Cruz, Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS)

Prof. Dr. Luiz Cleber Gak – Decano, Centro de Ciências Humanas (CCH) / Cursos de Graduação em Biblioteconomia, Museologia e Arquivologia da UNIRIO

Profª Dra. Araceli Cristina de Sousa Ferreira – Diretora Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FACC) da UFRJ, Curso de Biblioteconomia e Gestão das Unidades de Informação

Profª Dra. Joana Coeli Ribeiro Garcia – Presidente Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (ANCIB)

Profª Dra. Célia Ribeiro Zaher, Coordenadora Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Convênio IBICT/UFRJ

15h00 – Conferência “Inovação e Inclusão Social”, Professor Dr. Emir Suaiden – Diretor do IBICT

16h45 – Intervalo

17h00 – Conferência NICHOLAS BELKIN, Rutgers University.

18h45 – Homenagem aos 40 Anos do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do IBICT – Profª Dra. Rosali Fernandez de Souza

19h00 – Coquetel (Saguão do CPRM)

26 de Outubro – Terça feira

Local: UNIRIO

9h00-12h00 – Apresentação de trabalhos nos GTs

GT 1: Estudos Históricos e Epistemológicos da Ciência da Informação

GT 2: Organização e Representação do Conhecimento

GT 3: Mediação, Circulação e Apropriação da Informação

GT 4: Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações

GT 5: Política e Economia da Informação

GT 6: Informação, Educação e Trabalho

GT 7: Produção e Comunicação da Informação em CT&I

GT 8: Informação e Tecnologia

GT 9: Museu, Patrimônio e Informação

GT10: Informação e Memória

Exposição de Pôsteres

Fórum: Informação em Saúde: pesquisas, realizações e perspectivas

12h00-14h00 – Almoço

13h00-18h00 – Apresentação de trabalhos nos GTs

GT 1: Estudos Históricos e Epistemológicos da Ciência da Informação

GT 2: Organização e Representação do Conhecimento

GT 3: Mediação, Circulação e Apropriação da Informação

GT 4: Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações

GT 5: Política e Economia da Informação

GT 6: Informação, Educação e Trabalho

GT 7: Produção e Comunicação da Informação em CT&I

GT 8: Informação e Tecnologia

GT 9: Museu, Patrimônio e Informação

GT10: Informação e Memória

Exposição de Pôsteres

Fórum: Informação em Saúde: pesquisas, realizações e perspectivas

18h30-20h30: Reunião conjunta dos Coordenadores de GT e Coordenadores dos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação e áreas afins CAPES e CNPq (restrita)

27 de Outubro – Quarta Feira

Local: UNIRIO

9h00-12h00 – Apresentação de trabalhos nos GTs

GT 1: Estudos Históricos e Epistemológicos da Ciência da Informação

GT 2: Organização e Representação do Conhecimento

GT 3: Mediação, Circulação e Apropriação da Informação

GT 4: Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações

GT 5: Política e Economia da Informação

GT 6: Informação, Educação e Trabalho

GT 7: Produção e Comunicação da Informação em CT&I

GT 8: Informação e Tecnologia

GT 9: Museu, Patrimônio e Informação

GT10: Informação e Memória

Exposição de Pôsteres

Fórum: Informação em Saúde: pesquisas, realizações e perspectivas

12h00-14h00 – Almoço

14h00-18h00 – Apresentação de trabalhos nos GTs

GT 1: Estudos Históricos e Epistemológicos da Ciência da Informação

GT 2: Organização e Representação do Conhecimento

GT 3: Mediação, Circulação e Apropriação da Informação

GT 4: Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações

GT 5: Política e Economia da Informação

GT 6: Informação, Educação e Trabalho

GT 7: Produção e Comunicação da Informação em CT&I

GT 8: Informação e Tecnologia

GT 9: Museu, Patrimônio e Informação

GT10: Informação e Memória

Exposição de Pôsteres

Fórum: Informação em Saúde: pesquisas, realizações e perspectivas

28 de Outubro – Quinta Feira

Local: UNIRIO

09h00-12h00 – Apresentação de trabalhos nos GTs

GT 1: Estudos Históricos e Epistemológicos da Ciência da Informação

GT 2: Organização e Representação do Conhecimento

GT 3: Mediação, Circulação e Apropriação da Informação

GT 4: Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações

GT 5: Política e Economia da Informação

GT 6: Informação, Educação e Trabalho

GT 7: Produção e Comunicação da Informação em CT&I

GT 8: Informação e Tecnologia

GT 9: Museu, Patrimônio e Informação

GT10: Informação e Memória

Exposição de Pôsteres

12h00-14h00 – Almoço

Local: CPRM

13h00-14h00 – Reunião dos Coordenadores de Grupos de Trabalho (restrita)

14h00-18h00 – Assembléia Geral da ANCIB

Prêmio ANCIB

Eleição da nova Diretoria da ANCIB

Relatório Geral do XI ENANCIB

18h00 – Encerramento e anúncio do local do XII ENANCIB

Fonte: http://congresso.ibict.br/index.php/enancib/xienancib/schedConf/program