Imaginário e Literatura: livros que valorizam a cultura brasileira e africana

Conheça mais sobre essa cultura tão presente no nosso imaginário

 

Literaturas que valorizam a diversidade étnica e cultural afro-brasileira e africana são uma ótima alternativa para abordar os conteúdos exigidos pela lei 10.639, que obriga o ensino da “História e Cultura afro-brasileira e africana” nas escolas de Ensino Fundamental e Médio das redes pública e privada de todo Brasil.

Veja 14 dicas de livros recomendados para pais, filhos e professores sobre o tema. Confira também o índice de autores negros do Literafro, portal de estudos de literatura afro-brasileira da Universidade Federal de Minas Gerais.

Para ler, clique nos itens abaixo:

1. Menina Bonita do Laço de Fita – Ana Maria Machado
A autora coloca em cena, através da história de um coelho branco que se apaixona por uma menina negra, alguns assuntos muito debatidos nos dias de hoje, como a auto-estima das crianças negras e a igualdade racial.
2. Luana, A Menina Que Viu O Brasil Neném – Oswaldo Faustino, Arthur Garcia e Aroldo Macedo
O livro conta a história de Luana, uma menina de 8 anos que adora lutar capoeira, e a historia do descobrimento do Brasil. Ao lado de seu berimbau mágico, ela leva o leitor a outras épocas e lugares e mostra o quão rica é a cultura brasileira, além da importância das diferentes etnias existentes por aqui.
3. O Menino Marrom – Ziraldo
O Menino Marrom conta a historia da amizade entre dois meninos, um negro e um branco. Através da convivência aventureira dessas crianças ao longo de suas vidas, o autor pontua as diferenças humanas, realçando os preconceitos em alguns momentos.
4. Lendas da África – Júlio Emílio Brás
O livro mostra fábulas tipicamente africanas para leitores de todo mundo. Nas histórias, o autor mostra um pouco do folclore africano, além de passar valores do “tempo em que os animais ainda falavam” para as crianças.
5. Terra Sonâmbula – Mia Couto
Primeiro livro do autor africano, Terra Sonâmbula foi considerado um dos doze melhores romances do continente no século 20. Numa estória emocionante sobre o encontro de um menino sem memória e um velhinho meio perdido pelo mundo, Mia Couto mistura símbolos tradicionais da cultura e da história moçambicana.
6. Meu avô um escriba – Oscar Guelli
A história se passa na África, mais precisamente no Egito. O pequeno Tatu é neto de um escriba. A convivência com o avô permitirá ao menino aprender cálculos, a ter contato com tradições mais antigas de seu país e a se preparar para também ser um escriba um dia.
7. O Cabelo de Lelê – Valéria Belém
Lelê é uma linda menininha negra, que não gosta do seu cabelo cheio de cachinhos. Um dia, através de um fantástico livro, começa a entender melhor a origem de seu cabelo e, assim, passa a valorizar o seu tipo de beleza.
8. A varanda Do Frangipani – Mia Couto
O romance policial moçambicano é marcado por palavras criadas pelo próprio autor, nascido no país onde se passa a trama. A história conta sobre o violento colonialismo em Moçambique e a superação do país a partir dessa cicatriz histórica.
9. Bia na África – Ricardo Dregher
O livro é parte da coleção “Viagens de Bia”. Nessa estória, Bia viaja por diferentes países da África, como Egito, Quênia e Angola. Na aventura, a garotinha conhece, entre outras curiosidades, a história do povo árabe e dos nossos antepassados negros, que vieram como escravos da África para o Brasil há muitos anos.
10. Avódezanove e o segredo do soviético – Ondjaki
Em Luanda, capital da Angola, África, as obras de um mausoléu realizadas por soldados soviéticos ameaçam desalojar morados da PraiaDoBispo, bairro da região. As crianças do bairro percebem as mudanças com olhares desconfiados. Talvez elas sejam as primeiras a perceber que a presença dos soldados soviéticos significa mais do que uma simples reforma espacial.
11. Tudo Bem Ser Diferente – Todd Parr
A obra ensina as crianças a cultivar a paz e os bons sentimentos. O autor lida com as diferenças entre as pessoas de uma maneira divertida e simples, abordando assuntos que deixam os adultos sem resposta, como adoção, separação de pais, deficiências físicas e preconceitos raciais.
12. Diversidade – Tatiana Belinky
O livro mostra, através de versos, porque é importante sermos todos diferentes. A autora fala que não basta reconhecer que as pessoas não são iguais, é preciso saber respeitar as diferenças.
13. Num tronco de Iroko vi a Iúna cantar – Erika Balbino
Acompanhando as aventuras dos irmãos Cosme, Damião e Doum e seus amigos, os leitores entram em uma jornada que revela a relação do corpo com a música e aproxima as crianças da capoeira por meio de figuras lendárias das religiões de matriz africana. Além do enredo e das ilustrações do grafiteiro Alexandre Keto, um CD com a narração da história pela própria autora e cheio de cantos de capoeira e de Umbanda valorizam ainda mais essa luta, que é apresentada como dança, arte e jogo também.
14. Amanhecer Esmeralda – Ferréz
O livro conta a história da garota Manhã, negra, pobre e com grandes responsabilidades mesmo com tão pouca idade. Manhã tem sua vida transformada ao ganhar um vestido esmeralda de seu professor, que faz com que ela mude a forma como se vê e como vê o mundo ao seu redor.

Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/12-dicas-literatura-afro-brasileira-africana-729395.shtml

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Festa cultural: moqueca de bagre, viola, cavaco e orquestra!

Homenagem da Clínica do Texto & informação aos educadores e músicos populares que acreditam na magia transformadora da Arte na vida das pessoas.

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Galeria de imagens da festa cultural, 23 de novembro de 2013.

Ontem, dia 23 de novembro de 2013, realizamos uma maravilhosa Festa de Confraternização na casa dos amigos Valter Souza e Nilva Luz. No cardápio, saboreamos uma iguaria preparada pelo casal: Moqueca de Bagre – Um primor! Muita alegria, entusiasmo e energia positiva emanaram das improvisações musicais, danças, rodas e repentes que iluminaram a festa. Estiveram presentes artistas, músicos, poetas, compositores, violeiros, arte-educadores e amantes da cultura popular – um retrato metonímico da alma e cultura brasileiras – momentos inesquecíveis ao lado de Wilson Rocha E Silva, Vanessa Viotti, Estação Memória Camburi, Josevania Núñez Ibanhez, Bruna e Jean, Norberto e Silvia, entre outros.

Não faltou AXÉ, por isso compartilhamos com todos que gostam de música, arte e folia!

Notícias do circuito cultural de Ubatuba

Estação Memória Cambury

“19º Festival do Camarão da Almada”

Tem início dia 26 de julho

Com apoio da Prefeitura e da Fundart, começa no próximo dia 26 o já tradicional Festival do Camarão da Almada que seguirá até o dia 29, na Praia da Almada. “A Vida, a Arte e a Cultura Caiçara” terão presença marcante. Além de gastronomia, tendo o camarão como carro chefe, a festa reúne muitos grupos musicais, corrida de canoas e outras atrações. Endereço: Praia da Almada, norte de Ubatuba, BR 101 – Km 13.

 

Oficina de Fotografia Fundart

Abre a exposição  Fotógrafos de Ubatuba no

Sobradão do Porto

Abre no próximo dia 27 e termina dia 29 a Exposição da Oficina de Fotografia da Fundart, com trabalhos dos alunos do fotógrafo oficineiro Ernesto Zambon. Com isso, além da apresentação das fotografias da oficina, que ocorria no final do ano, agora optou-se por realizá-la, também em julho, quando…

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O livro, esse objeto de estudo

Recém-criado Núcleo de Estudos do Livro e da Edição, o Nele, lança revista que trata das várias configurações do livro, tanto como objeto de prazer cultural como, principalmente, tema de estudos

MARCELLO ROLLEMBERG

Criado recentemente, o Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (Nele) da Escola de Comunicações e Artes (ECA), visa a ser, no ambiente universitário, uma espécie de “laboratório” no qual o livro e todas as suas ramificações editoriais sejam, além de um objeto de prazer cultural, também um objeto de estudo. A ideia é pertinente, posto que nesses tempos de comunicação eletrônica e tablets se tornou quase um clichê a discussão sobre o fim do livro em seu suporte de papel.

Livro: além de um objeto de prazer cultural, também um objeto de estudo

O Nele, então, surge justamente numa quase contramão dessa discussão bizantino-tecnológica, mas com uma função essencial e, por assim dizer, up to date, posto que pretende encerrar discussões as mais contemporâneas – por mais que trate, muitas vezes, do passado e da história da edição. Mas, como já se escreveu (e não foi num post), é preciso compreender o passado para se projetar o futuro. É justamente dentro desse quadro que acaba de ser lançada a revista Livro, o primeiro fruto do núcleo. A revista é, segundo seus editores, os professores Plinio Martins Filho e Marisa Midori Deaecto, ambos do curso de Editoração da ECA, o resultado de “um esforço coletivo de professores e pesquisadores no sentido de materializar um fórum aberto à reflexão, ao debate e à difusão de pesquisas que têm na palavra impressa seu objeto principal”.

A Livro, que foi lançada oficialmente no último dia 5 durante o evento Os Poderes do Livro, na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, pretende cobrir, por meio de seus artigos, todo o “ciclo de vida da comunicação impressa” – uma expressão cunhada pelo historiador do livro e da leitura Robert Darnton, um dos maiores especialistas mundiais sobre o tema. Em suas pouco mais de 200 páginas (algumas delas ilustradas com trabalhos do artista Hélio Cabral), a revista apresenta seções como Leituras – que traz quatro artigos acerca do hábito de ler em seus mais distintos matizes, e na qual se destacam os textos “Leituras de presença e ausência”, da professora Jerusa Pires Ferreira, e “Leituras da época do modernismo”, de Ruy Galvão de Andrada Coelho –, “Acervo”, “Almanaque” e “Bibliomania”, além de apresentar uma crônica bem-humorada de Olavo Bilac acerca do trabalho e do papel social dos “homens de letras”. “Fantasio” – título do texto bilaquiano – foi garimpado nos arquivos do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) pelo professor Antonio Dimas.

Dossiês – Em meio a tantos artigos de fôlego, a revista, na verdade, terá um carro-chefe: a sua seção Dossiê, que a cada número apresentará uma série de estudos voltados para uma temática ou um evento que marcou data entre os estudiosos do livro. Nesse número de estreia, o dossiê é Paris-Bucarest. “Trata-se da recolha sumária, porém significativa, da produção apresentada em dois importantes colóquios realizados em setembro de 2010”, escrevem os editores na apresentação da revista.

“O Encontro de Paris reuniu pesquisadores franceses, portugueses e brasileiros, tendo resultado em importante projeto de cooperação internacional apresentado no final da seção. O simpósio promovido pela Biblioteca Metropolitana de Bucarest se apresentou como verdadeiro fórum internacional de pesquisa, no qual foram discutidas questões voltadas ao Livro, à Escrita e à Leitura, em diversos domínios do conhecimento.” Nesse dossiê inaugural são apresentados cinco textos, entre eles “A evolução do sistema editorial francês desde a Enciclopédia de Diderot”, do pesquisador francês Jean-Yves Mollier, e “A circulação transatlântica dos impressos: a globalização da cultura no século XIX”, da estudiosa brasileira Márcia Abreu.
O que Livro e o núcleo que a gerou, o Nele, desejam, de fato, não é cerrar fileiras contra aqueles que apregoam o fim do livro como o conhecemos, mas sim mostrar como a convivência pode ser harmoniosa entre os suportes, sem que seja necessário se engendrar uma cruzada livresca. É como escrevem seus editores: “Podemos dizer que o objetivo maior de Livro reside na valorização do suporte impresso diante das mudanças a que temos assistido no campo da produção editorial. A convivência de diferentes suportes de leitura, de natureza totalmente distintas, algo impensável nos primeiros quinhentos anos que marcaram a era de Gutenberg, trouxe à tona uma série de questionamentos concernentes ao direito autoral, às formas de circulação do texto, às práticas de leitura em multimeios, às políticas educacionais etc.

De fato, o advento do texto digital abriu novas possibilidades às velhas formas de transmissão da linguagem escrita e de conservação de seu registro”. E Plinio Martins Filho e Marisa Midori concluem, em seu texto de apresentação à revista: “Todavia, poder-se-ia dizer que à anunciada morte do livro somaram-se vozes que bradaram por sua sobrevivência, em acalorada declaração de amor aos já velhos e surrados códices”.

Fonte: http://espaber.uspnet.usp.br/jorusp/?p=15270

Bibliotecas: tradição no acúmulo e circulação de ideias

Por Andreia Hisi

A palavra biblioteca nos remete a um lugar tranquilo e silencioso, ou para alguns, a apenas um repositório de livros. Mas muito mais do que um lugar reservado a livros e leitores, as bibliotecas têm muito a dizer sobre as relações estabelecidas ao longo da história entre a cultura e as pessoas, entre a humanidade, seu conhecimento acumulado e seu legado para o futuro. A história das bibliotecas remonta à história da consolidação da civilização em seu aspecto mais fundamental, no qual os resultados dos progressos da humanidade em sua evolução social e intelectual são mantidos e perpetuados. “A ciência é cumulativa e a biblioteca tem a função de preservar a memória – como se ela fosse o cérebro da humanidade – organizando a informação para que todo ser humano possa usufruí-la”, explica Luís Milanesi, professor do Departamento de Biblioteconomia da Escola de Comunicação e Artes da USP (ECA/USP), no livro O que é biblioteca.

Desta maneira, segundo ele, a história da biblioteca é a história do registro da informação. De acordo com Ana Lúcia Merege, da Biblioteca Nacional, o conceito de “biblioteca”, apresentou significados diferentes ao longo do tempo, sem, contudo, deixar de representar um espaço de registro de informações. “O conceito de biblioteca como lugar de acumulação de registros escritos remonta à Antiguidade. As primeiras civilizações a criar sistemas de escrita foram também as pioneiras em manter bibliotecas. Na Mesopotâmia, as bibliotecas compostas por tabuletas de argila, com registros em escrita cuneiforme, existem aproximadamente desde o século V anterior à nossa era”, conta. Segundo Merege, assim como hoje, as obras eram organizadas segundo critérios rigorosos, e também havia mecanismos de consulta. “Na mais antiga biblioteca de que se tem notícia, a de Ebla, na Síria, havia extensas listas de nomes, dicionários e gramáticas. Na de Assurbanípal, a mais famosa biblioteca da Mesopotâmia, as obras eram divididas em ‘Ciências do Céu’ e ‘Ciências da Terra’, eram catalogadas e ficavam a cargo de funcionários qualificados”, aponta.

Como apenas uma pequena parcela da população sabia ler, essas bibliotecas particulares ou institucionais só eram usadas por estudiosos e, em certas civilizações, por funcionários e escribas que davam suporte à administração. “Ainda assim, pode-se dizer que o conceito de biblioteca como espaço de saber também data da Antiguidade; basta citar, como exemplo, a famosa biblioteca de Alexandria, que reunia em torno de si um grande número de estudiosos e dava suporte a debates, pesquisas e avanços científicos”, completa. A biblioteca de Alexandria foi fundada pelos primeiros representantes da dinastia ptolomaica, no século III a. C, no interior do Museion, ou templo das musas (centro de cultura grega). Sua finalidade era “concentrar em si toda sabedoria acumulada pelo mundo grego, dando a seus herdeiros domínio sobre ela”, relata Matthew Battles, da biblioteca Houghton, no livro A conturbada história das bibliotecas. Parte da mitologia que envolve essa biblioteca se deve aos relatos que ressaltavam as atividades intelectuais em torno dela, uma vez que não restou nenhuma evidência física de sua existência. “Os estudiosos do Museion comiam juntos num refeitório e toda propriedade intelectual era coletiva, modelo que seria imitado depois, na Idade Média, pelas primeiras universidades europeias.

O grau de liberdade acadêmica de que os estudiosos desfrutavam era extraordinário”, aponta Battles. “Ao patrocinar esse objetivo, os ptolomeus confirmavam a intuição essencialmente alexandrina de que o conhecimento é um bem, uma mercadoria, uma forma de capital a ser adquirido e entesourado”, conclui. Atenas e Pérgamo também sediaram grandes bibliotecas, com centenas de milhares de livros. Havia ainda bibliotecas mais modestas em Rodes e em Antioquia (atual Antakya, na Turquia). O mundo experimentou sucessivas experiências de acúmulo e organização dos livros, como a profusão de bibliotecas particulares durante o Império Romano, além de importantes iniciativas como a biblioteca de Constantinopla, no século V, com cerca de 120 mil volumes, ou as coleções medievais cristãs, mantidas em monastérios. As bibliotecas, ainda que fossem espaços de circulação do saber, eram centralizadas em torno da relação entre governantes e intelectuais. “Em tempos de guerras, infortúnio ou decadência, porém, essa centralização tornava-se um problema, pois toda a literatura contida ali estaria condenada a ter o mesmo destino que a biblioteca”, explica Battles. Contudo, mesmo que algumas bibliotecas se perdessem através de guerras, a tradição estabelecida se manteve. Na Idade Média surgiram, na Europa, importantes bibliotecas nos centros de poder político-econômico, como as bibliotecas italianas de Florença (Laurenziana, arquitetada por Michelângelo), Veneza (Marciana), do Vaticano (fundada pelo Papa Sisto IV), de Milão (Ambrosiana), além das bibliotecas de Roma, entre elas a da Universidade Sapienza (uma das mais antigas do mundo).

As bibliotecas monásticas, em particular, tiveram um papel fundamental, pois além de manter livros que eram essencialmente religiosos, também contribuíram para a perpetuação e preservação de textos da Antiguidade. Os monges beneditinos praticavam o oficio de scriptoria, ou seja, realizavam cópias de livros que se tornaram raros no Ocidente. Embora os monges censurassem certas obras ou passagens, esse trabalho permitiu a perpetuação de obras antigas. O mosteiro de Monte Cassino, próximo a Roma, foi provavelmente o maior do Ocidente, onde se copiou aproximadamente três mil volumes. Na França, a Biblioteca Real (atual Biblioteca Nacional), foi criada por Carlos V, em 1368, e ficava no palácio do Louvre, com aproximadamente 1,2 mil volumes. Mas a biblioteca pública francesa mais antiga é a Mazarine, aberta ao público desde 1643. Ela se origina como coleção particular do cardeal Mazarin e foi consideravelmente expandida sob a tutela de Gabriel Naudé, autor do primeiro tratado de biblioteconomia moderna. Para garantir a sua manutenção, Mazarin integrou-a ao Collège des Quatre Nations, destinado à educação de jovens das quatro províncias que estavam sob sua regência e que, mais tarde, tornaria-se o Institut de France (reunião das academias francesas de letras, belas-artes, ciências e ciências sociais).

Frente da Biblioteca Mazarine, em Paris. Foto: Wikimedia Commons.

Além dessa incipiente abertura das bibliotecas ao público, um marco histórico fundamental mudaria para sempre o alcance das obras. “A adoção do formato códice em substituição ao rolo já havia facilitado muitíssimo a circulação de informação nos primórdios da cultura cristã. Mas o surgimento da imprensa, no século XV, é o grande divisor de águas, pois permitiu uma multiplicação de obras, de sua circulação, e foi, consequentemente, vital para o surgimento e o incremento de bibliotecas”, diz Merege.
De acordo com ela, ainda que parte do conhecimento tenha sido transmitido ao longo do tempo de forma oral, as bibliotecas tiveram um papel crucial na formação da cultura ocidental. “Tanto as bibliotecas da Antiguidade, quanto, mais tarde, as da Idade Média e da Moderna foram repositórios de saber e cultura sem os quais boa parte dos conhecimentos acumulados pela humanidade teriam sido perdidos. O Renascimento, por exemplo, só foi possível graças à preservação de textos de filósofos e cientistas clássicos, retomados séculos mais tarde”, ressalta.

No Oriente, segundo Merege, não era diferente, e o conhecimento acumulado dos orientais influenciou, inclusive, as grandes navegações, que tomaram impulso na Península Ibérica a partir do século XV. “Durante séculos ela esteve sob o domínio muçulmano, e pôde aproveitar a tecnologia e as instituições – avançadíssimas para a época – que eram mantidas pelo Islã. Em Córdoba e Granada, assim como em Bagdá, havia hospitais, observatórios e bibliotecas, e o número de leitores era muito maior do que no restante da Europa”, afirma. Merege destaca, assim, a importância dos livros e das bibliotecas para as civilizações do Oriente. “Na Índia, nos séculos VIII-V antes de nossa era, existiam universidades que mantinham extensas bibliotecas de obras escritas sobre folhas de palmeira; a China e o Japão também têm livros e bibliotecas milenares. O papel surgiu, inclusive, na China e foi trazido para o Ocidente pelos muçulmanos. E em todos esses países existe uma tradição que mantém e valoriza a cultura escrita, os livros e as bibliotecas”, conclui.

Fonte: http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=65&id=822

Os livros da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa estão disponíveis gratuitamente

Os livros da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa estão disponíveis gratuitamente on-line desde dia 11.12.2010 no site da Casa Fernando Pessoa. Até agora, só uma visita à Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, permitia consultar este acervo que é “riquíssimo”, mas com o site bilíngüe (português e inglês) disponível em – http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt – em qualquer lugar do mundo, com uma ligação à Internet é possível consultar, página a página, os cerca de 1140 volumes da biblioteca, mais as anotações – incluindo poemas – que Fernando Pessoa foi fazendo nas páginas dos livros.

Fachada do edifício - Rua Coelho da Rocha, 16 Campo de Ourique - Lisboa

Um universo plural

Inaugurada em Novembro de 1993, a Casa Fernando Pessoa foi concebida pela Câmara Municipal de Lisboa como um centro cultural destinado a homenagear Fernando Pessoa e a sua memória na cidade onde viveu e no bairro onde passou os seus últimos quinze anos de vida, Campo de Ourique.

Possuindo um auditório, jardim, salas de exposição, objctos de arte, uma biblioteca exclusivamente dedicada à poesia, além de uma parte do espólio do poeta (objetos e mobiliário que pertenceram ao poeta e que são atualmente patrimônio municipal), a Casa Fernando Pessoa é um pequeno universo polivalente onde, nos seus três pisos principais, se realizam colóquios, sessões de leitura de poesia, encontros de escritores, espetáculos musicais e de teatro, conferências temáticas, workshops, exposições de artes plásticas, sessões de apresentação de livros, ateliers para crianças, numa programação o mais possível diversificada.

Apresentação

«Sê plural como o universo!» [Fernando Pessoa]

A Casa Fernando Pessoa possui um tesouro único no mundo: a biblioteca particular desta figura maior da literatura. É muito raro conseguir-se encontrar a biblioteca inteira de um escritor com a dimensão universal de Pessoa. Os livros tendem a mover-se muito depressa: emprestam-se, perdem-se, vendem-se. Pessoa também vendeu alguns – mas deixou-nos 1142 volumes, de todos os gêneros e em vários idiomas, densamente anotados e manuscritos.

Entendemos que uma biblioteca desta importância devia tornar-se patrimônio da humanidade – e não apenas dos que podem deslocar-se a esta Casa onde Fernando Pessoa viveu os últimos quinze anos da sua vida.

Graças à dedicação de uma equipa internacional de investigadores coordenada por Jerónimo Pizarro, Patricio Ferrari e Antonio Cardiello foi possível digitalizar, na íntegra, toda a biblioteca. Graças ao apoio da Fundação Vodafone Portugal foi possível colocar online cada uma das páginas digitalizadas. Deste encontro de entusiasmos generosos resultou a disponibilização gratuita da preciosa biblioteca do autor de O Livro do Desassossego, que agora pertence aos leitores em qualquer parte do globo. Procuramos tornar acessível e simples a compreensão da biblioteca no seu todo – que está classificada por categorias temáticas – e a consulta de cada livro. Destacamos páginas que incluem manuscritos do próprio Pessoa – ensaios e poemas escritos nas páginas de guarda dos livros.

Trata-se de uma biblioteca aberta ao infinito da interpretação – bela, surpreendente e instigante, como tudo o que Fernando Pessoa criou. Usufruam-na.

Acesse a Biblioteca Particular de Fernando Pessoa, clicando em: http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt

Casa Fernando Pessoa - Acervo

Horário:

De Segunda a Sábado, das 10h00 às 18h00

Horário da Biblioteca:

De Segunda a Sexta, das 10h00 às 18h00

Entrada livre

Visitas Guiadas para estabelecimentos de ensino

Folheto

Fonte: http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/

Arca das Letras inicia campanha de arrecadação de livros no Distrito Federal

O Programa de bibliotecas rurais Arca das Letras do Ministério do Desenvolvimento Agrário inicia campanha de arrecadação de livros no Distrito Federal. O ponto de partida é o Centro Educacional Sagrada Família, na 906 Norte. O colégio já realiza a campanha solidária com os 900 alunos desde 2005, sendo reconhecido como Escola Amiga da Biblioteca Rural, por ajudar, com as doações e com  a implantação de bibliotecas no campo. A campanha será realizada do dia 21/10 até o dia 19/11.

São esperadas doações de livros didáticos, literatura para crianças, jovens e adultos, livros sobre saúde, meio ambiente, cartilhas sobre produção rural, artesanato, receitas culinárias e gibis. A arrecadação vai garantir a implantação de mais bibliotecas no meio rural e ampliar acervos já em funcionamento no País.

Cada biblioteca é composta por cerca de 230 livros e gibis. As comunidades escolhem os assuntos que formam os acervos, o local onde a biblioteca é instalada e indicam os moradores que serão os agentes de leitura, após  capacitação feita pela equipe técnica do Programa Arca das Letras.

O Arca das Letras possui uma rede de parceiros, como o Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação/FNDE/MEC, o Ministério da Cultura, o Programa Luz para Todos, o Ministério da Justiça/Departamento Penitenciário Nacional, Banco do Brasil; também Estados, municípios, e movimentos sociais e sindicais de trabalhadores rurais, além de artistas, editoras e escritores.

Durante a 29ª Feira do Livro de Brasília vários escritores doaram seus livros, entre eles Luís Turiba, Angélica Torres, Nicolas Behr, Cristiane Sobral e Amneres.

As escolas interessadas em participar da campanha devem entrar em contato com o Programa Arca das Letras, para que a coordenação possa planejar as atividades de mobilização com os estudantes.

Contatos:
Arca das Letras: (61) 2020-0201 – arcadasletras@mda.gov.br

Fonte: http://www.mda.gov.br/portal/noticias/item?item_id=5725906