Teia da Diversidade: diálogos interculturais em Natal-RN

Sobre a TEIA da Diversidade

A Teia é o encontro dos Pontos de Cultura do Cultura Viva e das representações da Diversidade que integram o Brasil Plural. Em sintonia com as estratégias e diretrizes gerais do Plano Nacional de Cultura, a Teia Nacional da Diversidade 2014 inaugurará um espaço para encontro, reconhecimento, convivência, reflexão, formação e divulgação de temas prioritários de grupos, coletivos, comunidades, Pontos de Cultura e iniciativas que integram os Programas Cultura Viva e Brasil Plural.

A TEIA da Diversidade tem o objetivo de consolidar o Programa Nacional de Promoção da Cidadania e da Diversidade Cultural – Cultura Viva (PCV) como o programa de base comunitária do Sistema Nacional de Cultura. Também é um espaço que se propõe a refletir criticamente sobre: a  proposta de realinhamento do novo PCV para um programa de base comunitária, a partir da Portaria 118 de 30 de dezembro de 2013; O processo de integração de programas, projetos e ações do Sistema MinC ao Cultura Viva; E sobre as contribuições da TEIA 2014 para o desenvolvimento do Programa.

Em 2014, além dos Pontos e Pontões de Cultura a TEIA incorpora ao seu público estruturante os grupos do Encontro da Diversidade, que agrega segmentos das políticas setoriais atendidos pelo Programa Brasil Plural. Fazem parte destes segmentos grupos de Culturas Populares, Culturas Indígenas, Culturas Ciganas, LGBT, Crianças, Idosos, Juventude, Hip-Hop, Pessoas com Deficiência, Saúde Mental, Trabalhadores Urbanos, Povos de Terreiro, Quilombolas, Imigrantes, Mulheres, Trabalhadores Rurais, Mestres e Griôs.

As atividades da Teia Nacional da Diversidade 2014 incluem as TEIAS estaduais, encontros para preparação e envolvimento da sociedade civil participante. No âmbito nacional, foram realizadas quatro edições do encontro: Teia 2006 – Venha Se Ver e Ser Visto, São Paulo (SP), Teia 2007 – Tudo de Todos, Belo Horizonte (MG), TEIA 2008 – Iguais na Diferença, Brasília (DF), e TEIA 2010: Tambores Digitais, Fortaleza (CE).

 

Programação

Na TEIA da Diversidade, a cultura brasileira se manifesta em mostras artísticas – shows, espetáculos de todo tipo, performances – e nos diálogos proporcionados  por seminários, palestras, minicursos, fóruns, exposições, debates, rodas de conversa, intercâmbios e intervenções urbanas.

Espaços do encontro

De 19 e 24 de maio, a TEIA da Diversidade acontece no anfiteatro do Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e no Campus Cidade Alta do Instituto Federal do RN (IFRN). Localizados em pontos extremos de Natal, o acesso é fácil e próximo a shoppings, hotéis, pousadas, restaurantes e espaços culturais. A UFRN está localizada às margens da BR 101 no início da Avenida Salgado Filho, uma das principais da cidade e vai sediar palestras, oficinas, a Feira da Economia Solidária e Criativa, o Fórum Potiguar de Comunicação, o Fórum Nacional dos Pontos de Cultura Indígenas, além das apresentações da Mostra Artística. A TEIA acontece no arredores do anfiteatro do Campus, além do Centro de Convivência. Do outro lado da cidade, já na Cidade Alta, acontece no IFRN- Instituto Federal do RN o outro pólo de concentração da TEIA.

Clique aqui para fazer o download da programação parcial, atualizada em 2 de maio de 2014.

Espaços do encontro De 19 e 24 de maio, a TEIA da Diversidade acontece no anfiteatro do Campus da UFRN.

Espaços do encontro
De 19 e 24 de maio, a TEIA da Diversidade acontece no anfiteatro do Campus da UFRN.

Link para download da PROGRAMAÇÃO DA TEIA

http://culturadigital.br/teiadadiversidade/files/2014/05/Programac%CC%A7a%CC%83o-da-TEIA-da-Diversidade-Atualizada-em-02.05.2014.pdf

 

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Informe Importante aos Amigos Quilombolas de Cambury

Realização: Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais, em conjunto com a Frente Parlamentar de Promoção da Igualdade Racial

Audiência Pública: Dia 02/08/2011 – 3ª feira das 17hs as 22hs

Local: Auditório Franco Montoro – ALESP

Assunto: Encontro Estadual dos Quilombolas

Objetivos: Debater mecanismos para garantia da implementação e incremento da regularização fundiária e atenção as necessidades de políticas públicas básicas voltadas aos quilombos do Estado de São Paulo e do Brasil.

Definir documento de referencia sobre a realidade política dos Quilombos do Estado de São Paulo para o IV Encontro Nacional das Comunidades Quilombolas “CONAQ – 15 anos de luta, nenhum direito a menos” a ser realizado noperíodo de 03 a 06 de 2011, no Rio de Janeiro.

Formar um Grupo de Trabalho composto por representações quilombolas, de entidades sociais e políticas, e de órgãos da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo visando as negociações São Paulo.

Composição da Mesa:

  • Matilde Ribeiro (Ex-Ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Profª da Faculdade Paulista de Serviços Sociais)
  • Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Assessora Parlamentar Lygia Giuliano Nader)
  • INCRA (Drª Givania Coordenadora Fundiária do INCRA)
  • Procuradoria Regional da República da 3ª Região (Procuradora Drª Maria Luiza Grabner)
  • Representante dos Quilombolas – Região Vale do Ribeira
  • Representante dos Quilombolas – Região Sudoeste
  • Representante dos Quilombolas – Região Vale do Paraíba e Litoral Norte

 Apoio:

  • CUT Estadual e Nacional
  • SECR/PT
  • Comissão de Justiça e Paz do Estado de São Paulo
  • Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
  • Confederação Nacional dos Metalúrgicos
  • SOS Racismo – Alesp
  • Movimentos Negros

Revolução Feminina: as Mulheres à Frente na Educação

by José Eustáquio Diniz Alves

A economia colonial brasileira fundada na grande propriedade rural e na mão-de-obra escrava deu pouca atenção ao ensino formal para os homens e nenhuma para as mulheres. O isolamento, a estratificação social e as relações familiares patriarcais favoreceram uma estrutura de poder fundada na autoridade sem limites dos homens donos de terras. A tradição cultural ibérica, transposta de Portugal para a colônia brasileira, considerava a mulher um ser inferior, que não tinha necessidade de aprender a ler e a escrever. A educação monopolizada pela Igreja Católica reforçava o espírito medieval. A obra educativa da Companhia de Jesus (Jesuítas) contribuiu significativamente para o fortalecimento da predominância masculina, sendo que os padres jesuítas tinham apego às formas dogmáticas de pensamento e pregavam a autoridade máxima da Igreja e do Estado.

Com a vinda da Família Real portuguesa ao Brasil e a independência, em 1822, a sociedade brasileira começou a apresentar uma estrutura social mais complexa. As imigrações internacionais e a diversificação econômica aumentaram a demanda por educação, que passou a ser vista como um instrumento de ascensão social pelas camadas sociais intermediárias. Neste novo contexto, pela primeira vez, os dirigentes do país manifestaram preocupação com a educação feminina. Os primeiros legisladores do Império estabeleceram que o ensino primário deveria ser de responsabilidade do Estado e extensivo às meninas, cujas classes deveriam ser regidas por professoras. Porém, devido a falta de professoras qualificadas e sem conseguir despertar maior interesse dos pais, o ensino sequer logrou abranger uma percentagem significativa de alunas.

Na primeira metade do século XIX, começaram a aparecer as primeiras instituições destinadas a educar as mulheres, embora em um quadro de ensino dual, com claras especializações de gênero. Ao sexo feminino cabia, em geral, a educação primária, com forte conteúdo moral e social, dirigido para o fortalecimento do papel da mulher enquanto mãe e esposa. A educação secundária feminina ficava restrita, em grande medida, ao magistério, isto é, formação de professoras para os cursos primários. As mulheres continuaram excluídas dos graus mais elevados de instrução durante o século XIX. A tônica permanecia na agulha, não na caneta. A primeira escola foi criada em Niterói, no ano de 1835, seguida por outra na Bahia, em 1836. Até os últimos anos do Império, as escolas normais permaneceram em pequeno número, e quase insignificantes, em termos de matrículas.

Se o sexo feminino tinha dificuldades de acesso ao ensino elementar, a situação era mais dramática na educação superior, que era eminentemente masculina. As mulheres foram excluídas dos primeiros cursos de Medicina (1808), Engenharia (1810) e Direito surgidos no país,. O decreto imperial que facultou à mulher a matrícula em curso superior data de 1881. Todavia, era difícil vencer a barreira anterior, pois os estudos secundários eram caros e essencialmente masculinos e os cursos normais não habilitavam as mulheres para as faculdades. A primeira mulher a obter o título de médica no Brasil foi Rita Lobato Velho Lopes, em 1887. O importante a notar é que, durante o século XIX e a primeira metade do século XX, a exclusão feminina dos cursos secundários inviabilizou a entrada das mulheres nos cursos superiores. Assim, a dualidade e a segmentação de gênero estiveram, desde sempre, presentes na gênese do sistema educacional brasileiro, sendo que as mulheres tinham menores taxas de alfabetização e tinham o acesso restringido aos graus mais elevados de instrução.

A Constituição da República, de 1891, consagrou a descentralização do ensino em um esquema dualista: a União ficou responsável pela criação e controle das instituições de ensino superior e secundário e aos Estados coube a criação de escolas e o monitoramento e controle do ensino primário, assim como do ensino profissional de nível médio, que na época, compreendia as escolas normais para as moças e as escolas técnicas para os rapazes. Nessa época, houve expansão quantitativa do sistema educacional, mas pouca mudança qualitativa. A taxa de alfabetização da população brasileira cresceu durante a República Velha (1889-1930) apesar da manutenção de altos níveis de analfabetismo.

Os motivos do baixo grau de investimento educacional brasileiro tiveram suas origens no modelo econômico baseado na economia primário-exportadora, com base em uma estrutura escravocrata. Enquanto a população permaneceu enraizada no campo, utilizando meios arcaicos de produção, a escola não exerceu papel importante na qualificação dos recursos humanos, permanecendo como agente de educação para o ócio ou de preparação para as carreiras liberais, no caso dos homens, ou para professoras primárias e donas-de-casa, no caso das mulheres.

A Revolução de 1930, ao redirecionar o desenvolvimento brasileiro para o mercado interno e para o setor urbano-industrial, propiciou o surgimento das primeiras políticas públicas de massa, especialmente para as populações urbanas. As novas exigências da industrialização e dos serviços urbanos influenciaram os conteúdos e a expansão do ensino. Porém, como a expansão do capitalismo não se fez de forma homogênea em todo o território nacional, a maior expansão da demanda escolar só se desenvolveu nas regiões onde as relações capitalistas estavam mais avançadas.

Desta forma, durante o período do chamado Pacto Populista (1945-1964), o sistema escolar passou a sofrer a pressão social por níveis crescentes de acesso à educação, porém o acordo das elites no poder manteve o caráter “aristocrático” da escola, contendo a pressão popular pela democratização do ensino. Assim, não estranha que a expansão da cobertura escolar tenha ocorrido de forma improvisada e insuficiente. Para efeito do nosso estudo, é importante destacar que somente em 1961, através da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação Brasileira, foi garantida equivalência de todos os cursos de grau médio, abrindo a possibilidade das mulheres que faziam magistério disputarem os vestibulares. Portanto, foi a partir dos anos 60 que as mulheres brasileiras tiveram maiores chances de ingressar na educação superior. Exatamente por isto, a reversão do hiato de gênero no ensino superior começou nos anos 70.

Com a intensificação da industrialização e da urbanização do país o sistema educacional cresceu horizontalmente e verticalmente. Os governos militares, instalados no país após 1964 e inspirados no modelo norte-americano, tomaram medidas para atender a demanda crescente por vagas e qualificação profissional, de acordo, inclusive, com os compromissos internacionais. A aliança entre os militares e a tecnoburocracia possibilitou um grande crescimento da pós-graduação, com o objetivo de formar professores competentes para atender a demanda da própria universidade, estimular o desenvolvimento da pesquisa científica e assegurar a formação de quadros intelectuais qualificados para atender às necessidades do desenvolvimento nacional (Cunha, 2000).

A expansão do ensino no Brasil continuou após o processo de redemocratização do país, com a instalação da chamada “Nova República”, em 1985. Nos anos de 1990 houve um desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a manutenção das crianças na escola (Bolsa Escola) e um esforço para a universalização da educação básica. No ensino superior, houve um grande crescimento das universidades privadas, que ultrapassaram em muito o número de estudantes matriculados em relação à universidade pública. A expansão geral das vagas no ensino brasileiro favoreceu especialmente o sexo feminino. Na segunda metade do século XX, as mulheres conseguiram reverter o hiato de gênero na educação em todos os níveis. Elas souberam aproveitar as oportunidades criadas pelas transformações socais ocorridas no país.

Mas, sobretudo, a reversão do hiato de gênero foi uma conquista que resultou de um esforço histórico do movimento de mulheres, fazendo parte de uma luta mais geral pela igualdade de direitos entre os sexos, envolvendo inúmeros atores sociais. Isto não aconteceu apenas no Brasil, mas faz parte de uma mudança mundial de redefinição do papel da mulher na sociedade e de enfraquecimento do patriarcado.

A distribuição percentual da população com nível superior de educação, por sexo e grupos etários, segundo os dados do censo demográfico de 2000, mostra que entre as população com até 49 anos, as mulheres eram maioria nos cursos superiores, mas para as populações acima de 50 anos, os homens com curso superior suplantavam o número de mulheres. Estes dados confirmam que as mulheres avançaram na educação de maneira progressiva ao longo do século XX. Em 2000, no grupo etário acima de 60 anos, ou seja, das pessoas nascidas antes de 1940, os homens com curso superior eram quase 60%, contra 40% das mulheres. Ao contrário, para o grupo etário 20 a 29 anos, eram as mulheres com curso superior que perfaziam 60% do total, enquanto os homens obtinham o percentual de 40%.

Em síntese, os dados mostram que as mulheres tiveram ganhos educacionais inequívocos no século XX e superaram cerca de 450 anos de exclusão. A despeito da qualidade da educação brasileira, a análise dos diferenciais entre homens e mulheres, mostra que o “sexo fraco” está cada vez mais forte, quando o assunto é escola. Em outras dimensões sociais e econômicas da sociedade, particularmente no mercado de trabalho, os diferenciais de gênero ainda são grandes e as mulheres estão em desvantagem. Mas quando se trata de observar o hiato de gênero na educação, o Brasil já superou as metas estabelecidas nos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio. Hoje, nesta área, as desigualdades são reversas.

Por fim, é preciso destacar que a elevação da escolaridade para ambos os sexos é uma condição para o desenvolvimento do país. Para se fazer justiça social e, acima de tudo, é preciso que o Brasil avance na educação com qualidade para ambos os sexos.

Referências

ALVES, J.E.D, CORREA, S. Igualdade e desigualdade de gênero no Brasil: um panorama preliminar, 15 anos depois do Cairo. In: ABEP, Brasil, 15 anos após a Conferência do Cairo, ABEP/UNFPA, Campinas, 2009.

BELTRÃO, K., ALVES, J.E.D. A reversão do hiato de gênero na educação brasileira no século XX. Cadernos de Pesquisa, FCC, São Paulo, V. 39, n. 136, jan/abr 2009, pp 125-156.

José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE. As opiniões deste artigo são do autor e não refletem necessariamente aquelas da instituição. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br.

Fonte: EcoDebate, 23/07/2010 – http://www.ecodebate.com.br/

I Simpósio “A População Negra na Ciência e Tecnologia” – Gratuito e aberto ao público!

O I Simpósio “A População Negra na Ciência e Tecnologia” visa incentivar a reflexão sobre a participação da população negra no universo acadêmico, promover trabalhos científicos voltados para a promoção do desenvolvimento e da equidade social e apontar ações para o futuro da população negra no cenário cientifico e tecnológico brasileiro.

Apresentação

A População Negra na Ciência e Tecnologia

A política científica e tecnológica brasileira afirma, dentre outras coisas, que destina-se à formação de recursos humanos para engendrar o pensamento científico e o desenvolvimento tecnológico do país.

Parte do potencial humano brasileiro, no entanto, não está representada nesse contexto: a população negra. Essa exclusão nega a própria função da política científica nacional. Por esse motivo, o I Simpósio: a população negra na Ciência e Tecnologia visa incentivar a reflexão sobre a participação da população negra no universo acadêmico, promover trabalhos científicos voltados para a promoção do desenvolvimento e da equidade social e apontar ações para o futuro da população negra no cenário cientifico e tecnológico brasileiro.

O Simpósio será aberto àqueles que de alguma forma se identifiquem com o tema e contemplará todas as áreas do conhecimento cientifico nos níveis de graduação e pós –graduação. Serão realizadas mesas redondas, palestras e apresentação de trabalhos científicos.

Programação disponível em: http://www.usp.br/lafac/simposio/

Maiores Informações: SEPPIR: (061) 3411-3653 / LAFAC: (019) 3565-4272 – simposio@fzea.usp.br

Isimpósio

I Simpósio População Negra na C&T

OBJETO DE ESTUDO OU DE DESEJO? MULHERES: UM POTE ATÉ AQUI DE MÁGOAS

por Edison Luís dos Santos

Introdução: homenagem à Hipátia

Quando o filósofo Santo Agostinho (354-430 d.C.), um dos pais dos princípios eclesiais da autoridade cristã, afirma que “A mulher não foi feita à imagem de Deus” (Mulier non facta est ad imaginem Dei), introduz um novo estatuto para a representação da mulher, determinante para a domesticação dos costumes medievais e a difusão da misoginia medieval. Nessa mesma época em que o cristianismo se firmava pela cólera e o radicalismo no combate às heresias que desafiavam sua doutrina(1), Hipátia, mulher pioneira nos estudos científicos e que contribuiu para o desenvolvimento da matemática, foi assassinada por se negar à conversão. Em nome dos costumes, os monges de Cirilo assassinaram-na sem escrúpulo(2).

Embora pouco conhecida na história, Hipátia foi a primeira mulher assassinada por ser uma pesquisadora da ciência. Era a filha mais bonita de Teão, bibliotecário em Alexandria, que havia escrito tratados de geometria e música. Seu pai era um erudito reconhecido, mas ela o superou em tudo e chegou a possuir o domínio total da astronomia e matemática de seu tempo. Escreveu textos densos e foi autora de: Comentário sobre a aritmética de Diofanto; Comentário sobre as Crônicas de Apolônio e uma edição de um escrito em que seu pai divulgou o Almagesto de Ptolomeu. Lamentavelmente não restou absolutamente nada, porque seus escritos foram destruídos.

Na primavera de 415 d.C., uma multidão de monges devotos, liderados por um homem chamado Pedro, seguidor do venerável Cirilo, bispo de Alexandria, sequestrou-a. Hipátia se defendeu e gritou, mas ninguém ousou ajudá-la. O terror se impôs e, dessa forma, os monges puderam levá-la até a igreja de Cesário. Ali, à vista de todos, golpearam-na brutalmente com telhas. Arrancaram-lhe os olhos e a língua. Quando já estava morta, levaram o corpo para um lugar chamado Cinaro e o despedaçaram, arrancaram os órgãos e os ossos e finalmente queimaram os restos. A intenção final não era outra senão a aniquilação sumária de tudo quanto Hipátia significava como mulher.

NOTAS

(1) Na maioria dos textos medievais que versam sobre demonologia, a vítima do diabo, por excelência, é a mulher, cujo fundamento encontra-se nas crenças da Antiguidade (Velho Testamento) que são também largamente difundidas na Idade Média pelos valores morais incorporados pelo cristianismo. (Ver: Deus e o Diabo: a pedagogia do medo. In: Nogueira, 2000: 42).

(2) Cirilo era sobrinho de Teófilo, o causador da destruição do Serapeum. Tinha um destino determinado e o cumpriu. De 412 d.C. a 444 d.C., regeu o rumo espiritual dos alexandrinos. Não suportou a sabedoria de Hipátia, capaz de pôr em dúvida as doutrinas cristãs ao exercer, com modéstia, o método científico. Damáscio relata que “Cirilo se corroia a tal ponto que tramou o assassinato dessa mulher de maneira que acontecesse o mais cedo possível […] (Vida de Isidoro, 79, 24-25)”. (BÁEZ, 2006: 109).

LER MAIS…

Para prosseguir na leitura, acesse a página onde foi publicado o artigo: http://www.ofaj.com.br/textos_conteudo.php?cod=294.

Uma data histórica: 100 anos do Dia Internacional da Mulher!

Mulheres votam

Hoje, 8 de março de 2010, Dia Internacional da Mulher, é uma data histórica: comemoramos um século em busca da igualdade de direitos entre homens e mulheres e de combate às violências e discriminações. Mulheres à frente do seu tempo vislumbraram a necessidade de uma data para evidenciarmos valores como solidariedade, diversidade, justiça social e igualdade.

É um dia em que as mulheres são reconhecidas por suas conquistas sem levar em conta as divisões, quer sejam nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas. É uma oportunidade para rever a história das lutas e realizações passadas – e mais importante – olhar para frente, para o potencial inexplorado e as oportunidades que aguardam as futuras gerações de mulheres.

O Dia Internacional da Mulher, celebrado hoje, tem origem nas manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no início do século 20, na Europa e nos Estados Unidos.

A ideia da existência de um dia internacional da mulher foi proposta na virada do século 20, no contexto da Segunda Revolução Industrial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina em massa, na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. As operárias em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos contra as más condições de trabalho e os baixos salários, em 8 de Março de 1857, em Nova Iorque.

Muitos outros protestos ocorreram nos anos seguintes, destacando-se o de 1908, quando 15.000 mulheres marcharam sobre a cidade de Nova Iorque, exigindo a redução de horário, melhores salários e direito ao voto.

Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada proposta da socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um Dia Internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada. No ano seguinte, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 19 de Março, por mais de um milhão de pessoas, na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.

A data de 8 de Março foi adotada pelas Nações Unidas, em 1975, para lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo.

Democracia efetiva X subrepresentação

No exame da democracia ateniense de participação restrita, os direitos políticos eram exercidos apenas pelos cidadãos (homens). Estrangeiros, mulheres e escravos não possuíam cidadania e estavam proibidos pelas leis atenienses de participar do regime democrático. Essa democracia escravista forneceu as bases econômicas e políticas para o desenvolvimento da cultura clássica, mas é notório o lugar subalterno que ocupavam as mulheres, confinadas ao gineceu (parte da casa [oîkos] reservada às mulheres).

Foi-se a época em que elas ficavam restritas ao espaço doméstico e sem quaisquer direitos. Nos dias atuais, as mulheres já avançaram bastante em termos de luta e conquistas, que são fruto de muita organização. De maneira corajosa e ousada, as mulheres quebraram preconceitos e exigiram dignidade. No Brasil, organizadas nos partidos políticos, sindicatos, escolas e no movimento social, elas foram protagonistas empunhando a bandeira da democracia. Posicionaram-se por melhores condições de trabalho, de saúde e educação para seus filhos. E hoje estão mobilizadas contra a violência doméstica.

A participação das mulheres na política

Segundo José Eustáquio Diniz Alves, professor titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, “a exclusão das mulheres da política, no Brasil, começou a mudar no dia 24 de fevereiro de 1932; neste dia, elas adquiriram o direito de voto por meio de um decreto presidencial de Getúlio Vargas. Tal conquista seria impossível durante a República Velha, já que na Constituinte de 1891 o voto feminino foi negado sob o argumento de que seria “um estímulo ao fim das famílias”.

Houve avanços, mas é lamentável constatar as desigualdades salariais entre homens e mulheres, mesmo para ocupar a mesma função. As mulheres têm a sobrecarga da múltipla jornada de trabalho, pois há questões culturais a serem superadas. A representação das mulheres nos espaços de poder também está longe do ideal. Apesar da superioridade das mulheres no âmbito educacional, elas ainda não conseguiram eliminar a defasagem em relação aos homens nas dimensões de atividade econômica e, especialmente, de empoderamento. Apesar de representarmos 51,5% do eleitorado, o Brasil é hoje o país da América Latina com menor presença de mulheres no Congresso Nacional.

Segundo artigo de Luciano Cerqueira, As filhas do Brasil, publicado no site do Ibase (26/02/2010), as próximas eleições presidenciais podem trazer uma novidade ao país: uma presidenta. Dilma ou Marina podem se juntar a Michelle Bachelet (Chile), Angela Merkel (Alemanha), Indira Gandhi (Índia), Helen Sirleaf (Libéria), Cristina Kirchner (Argentina) e outras tantas mulheres que comandam, ou comandaram, um país. Conforme constata o colaborador do Ibase, as mulheres não ocupam tantos cargos legislativos, ou ocupam poucos cargos de dirigentes em empresas privadas: “Essa ainda é uma pergunta sem resposta. Sendo as mulheres mais escolarizadas, a resposta pode ser a forte discriminação que ainda existe no Brasil e no mundo”, conclui o autor.

“As mulheres brasileiras estão prontas para comandar. Sejam empresas, cidades, estados ou países. Se formos capazes de romper as barreiras socioculturais, teremos milhares de Heloísas, Carolinas, Marinas, Fabianas, Vanessas, Joanas, Andreas, Telmas, Lisetes, Martas, Karinas etc no comando. Mas, para isso, precisamos deixar de lado o machismo e o preconceito e reconhecer o valor, a garra, a dedicação, a paixão, a ternura, o espírito de luta de todas as filhas do Brasil.”

Lançamento do livro Narrativas e Experiências: Histórias orais de mulheres brasileiras

Acontece hoje (11.08.09) o lançamento do Livro “Narrativas e experiências: histórias orais de mulheres brasileiras”
Dia 11 de agosto de 2009, terça-feira, das 19h às 22h
Livraria da Vila – Lorena, Alameda Lorena, 1731, Jardins, São Paulo

Lançamento do livro Narrativas e Experiências: Histórias orais de mulheres brasileiras