Diálogos contemporâneos: produção partilhada de conhecimento

Debate e Hipermídia – Produção Partilhada do Conhecimento – A mostra de greve pretende ser um espaço em que as três categorias se reúnam para, a partir de filmes, refletir sobre problemáticas sociais brasileiras contemporâneas, e a partir destas, a própria greve.

11/06 (quarta-feira) 14h | Universidade além dos muros

 

Filme. Produção partilhada do conhecimento Dir. Universidade e Aldeia. 2013. 78’. Brasil.

Sinopse: Cinquenta indígenas de doze aldeias diferentes, partilham na aldeia de Sangradouro (MT) a produção do conhecimento com pesquisadores, e contam, através de curtas-metragens, suas versões de temas como Diabetes, Meio Ambiente, Jarudori, Alcoolismo, Museu e Memória.

Debate: Mestre Alcides (Mestre Griô)

Sérgio Bairon (Diversitas/USP)

Repetição do filme às 19h (sem debate)

C E A C A

Mostra de Greve na USP
Exibições e debates: Prédio de História e Geografia

A mostra de greve pretende ser um espaço em que as três categorias se reúnam para, a partir de filmes, refletir sobre problemáticas sociais brasileiras contemporâneas, e a partir destas, a própria greve.

02/06 (segunda-feira) 17h | Abertura: Qual greve queremos?

Filme. Peões. Dir. Eduardo Coutinho. 2004. 85’. Brasil.

Sinopse:A história pessoal de trabalhadores da indústria metalúrgica do ABC paulista que tomaram parte no movimento grevista de 1979 e 1980, mas permaneceram em relativo anonimato. Eles falam de suas origens, de sua participação no movimento e dos caminhos que suas vidas trilharam desde então. Exibem souvenirs das greves, recordam os sofrimentos e recompensas do trabalho nas fábricas, comentam o efeito da militância política no âmbito familiar, dão sua visão pessoal de Lula e dos rumos do país.

Debate: Jorge Luís Souto Maior (Docente Direito/USP) | Waldemar…

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Teia da Diversidade: diálogos interculturais em Natal-RN

Sobre a TEIA da Diversidade

A Teia é o encontro dos Pontos de Cultura do Cultura Viva e das representações da Diversidade que integram o Brasil Plural. Em sintonia com as estratégias e diretrizes gerais do Plano Nacional de Cultura, a Teia Nacional da Diversidade 2014 inaugurará um espaço para encontro, reconhecimento, convivência, reflexão, formação e divulgação de temas prioritários de grupos, coletivos, comunidades, Pontos de Cultura e iniciativas que integram os Programas Cultura Viva e Brasil Plural.

A TEIA da Diversidade tem o objetivo de consolidar o Programa Nacional de Promoção da Cidadania e da Diversidade Cultural – Cultura Viva (PCV) como o programa de base comunitária do Sistema Nacional de Cultura. Também é um espaço que se propõe a refletir criticamente sobre: a  proposta de realinhamento do novo PCV para um programa de base comunitária, a partir da Portaria 118 de 30 de dezembro de 2013; O processo de integração de programas, projetos e ações do Sistema MinC ao Cultura Viva; E sobre as contribuições da TEIA 2014 para o desenvolvimento do Programa.

Em 2014, além dos Pontos e Pontões de Cultura a TEIA incorpora ao seu público estruturante os grupos do Encontro da Diversidade, que agrega segmentos das políticas setoriais atendidos pelo Programa Brasil Plural. Fazem parte destes segmentos grupos de Culturas Populares, Culturas Indígenas, Culturas Ciganas, LGBT, Crianças, Idosos, Juventude, Hip-Hop, Pessoas com Deficiência, Saúde Mental, Trabalhadores Urbanos, Povos de Terreiro, Quilombolas, Imigrantes, Mulheres, Trabalhadores Rurais, Mestres e Griôs.

As atividades da Teia Nacional da Diversidade 2014 incluem as TEIAS estaduais, encontros para preparação e envolvimento da sociedade civil participante. No âmbito nacional, foram realizadas quatro edições do encontro: Teia 2006 – Venha Se Ver e Ser Visto, São Paulo (SP), Teia 2007 – Tudo de Todos, Belo Horizonte (MG), TEIA 2008 – Iguais na Diferença, Brasília (DF), e TEIA 2010: Tambores Digitais, Fortaleza (CE).

 

Programação

Na TEIA da Diversidade, a cultura brasileira se manifesta em mostras artísticas – shows, espetáculos de todo tipo, performances – e nos diálogos proporcionados  por seminários, palestras, minicursos, fóruns, exposições, debates, rodas de conversa, intercâmbios e intervenções urbanas.

Espaços do encontro

De 19 e 24 de maio, a TEIA da Diversidade acontece no anfiteatro do Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e no Campus Cidade Alta do Instituto Federal do RN (IFRN). Localizados em pontos extremos de Natal, o acesso é fácil e próximo a shoppings, hotéis, pousadas, restaurantes e espaços culturais. A UFRN está localizada às margens da BR 101 no início da Avenida Salgado Filho, uma das principais da cidade e vai sediar palestras, oficinas, a Feira da Economia Solidária e Criativa, o Fórum Potiguar de Comunicação, o Fórum Nacional dos Pontos de Cultura Indígenas, além das apresentações da Mostra Artística. A TEIA acontece no arredores do anfiteatro do Campus, além do Centro de Convivência. Do outro lado da cidade, já na Cidade Alta, acontece no IFRN- Instituto Federal do RN o outro pólo de concentração da TEIA.

Clique aqui para fazer o download da programação parcial, atualizada em 2 de maio de 2014.

Espaços do encontro De 19 e 24 de maio, a TEIA da Diversidade acontece no anfiteatro do Campus da UFRN.

Espaços do encontro
De 19 e 24 de maio, a TEIA da Diversidade acontece no anfiteatro do Campus da UFRN.

Link para download da PROGRAMAÇÃO DA TEIA

http://culturadigital.br/teiadadiversidade/files/2014/05/Programac%CC%A7a%CC%83o-da-TEIA-da-Diversidade-Atualizada-em-02.05.2014.pdf

 

ENQUANTO O TREM NÃO PASSA: documentário sobre a mineração no Brasil

Prestes a ser votado o Novo Código de Mineração Brasileiro, a Mídia Ninja une-se aos movimentos sociais para dar voz aos atingidos pelos impactos e devastação da mineração, atividade econômica que cresceu 550% nos últimos 10 anos no país. O documentário foi gravado em três estados impactados pela atividade, ao longo dos últimos 2 meses: Maranhão, Pará e Minas Gerais.

“Enquanto o trem não passa” mostra um pouco da realidade de comunidades que têm seus direitos usurpados por grandes mineradoras e governo. Municípios cortados pela Ferrovia Carajás, Minerodutos, populações afetadas – não apenas pela tormenta de explosões constantes na extração do minério, mas também por toda a logística que muda o modo de viver e conviver nos territórios.

O objetivo da produção é alertar quem vive fora das áreas de atuação das mineradoras sobre o enorme impacto dessa atividade e o quanto o novo código proposto pelo Governo não traz salvaguardas sócio-ambientais, garantias ao meio ambiente e nem segurança aos quilombolas e povos indígenas. Os brasileiros sofrerão, ao longo das próximas décadas, com a escassez de água, pois rios e nascentes estão sendo drenados pelas mineradoras. Só em 2012 a mineração consumiu 52 bilhões de litros de água, o suficiente para abastecer por dois anos a cidade de Niterói (RJ).

Todo conteúdo está sob licença Creative Commons, para livre uso e distribuição.

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O próximo alvo dos ruralistas: terras indígenas e quilombolas

Autor: Caio Junqueira | De Brasília, Valor Econômico – 08/12/2011

Após a aprovação do Código Florestal no Senado e sua provável aprovação em tramitação na Câmara, para onde volta porque houve modificações do texto, a bancada ruralista no Congresso Nacional se mobiliza para mais um embate com ambientalistas. Trata-se da proposta de emenda constitucional (PEC) 215, que transfere do Executivo para o Legislativo a competência exclusiva para aprovar a demarcação das terras indígenas e ratificar as demarcações já homologadas. Também estende essa prerrogativa na demarcação de áreas de conservação ambiental e terras quilombolas.
A discussão sobre a PEC parou ontem e anteontem os trabalhos da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde a proposta atualmente tramita. Os ruralistas lotaram as sessões e conseguiram aprovar um requerimento de inclusão da PEC na pauta, que foi aprovado. Com ampla maioria, estava prestes a ser votado quando deputados do PT mobilizaram o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo que, por sua vez, acionou o líder do governo na Casa, Cândido Vaccarezza, para tentar impedir a apreciação.
“Vim aqui a pedido do Ministério da Justiça para que esta votação não seja realizada hoje. Minha proposta é que discutamos a PEC ainda neste ano com o ministro e na primeira sessão da CCJ em 2012 ela seja votada. E se ela for aprovada, viabilizaremos a comissão especial para discuti-la”, afirmou. Embora com alguma discordância, os ruralistas concordaram. Mas já elegeram a PEC como prioridade para 2012.
“Aprendemos com o Código Florestal que temos de enfrentar os problemas aqui, ser pró-ativos. Esse projeto ficou barrado aqui com muitas manobras, principalmente do PT e dos setores ligados à Igreja”, afirmou ao Valor o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Moreira Mendes (PSD-RO).
Apresentada em 2000 pelo empresário rural e deputado Almir Sá (hoje no PR de Roraima), foi primeiro relatada pelo padre e atual deputado Luiz Couto (PT-PB), que pediu sua inadmissibilidade. Acabou não sendo votada e, em consequência, arquivada. Mas já na última legislatura os ruralistas pediram seu requerimento. Um novo relator, Geraldo Pudim (PMDB-RJ), foi designado, e apresentou parecer favorável à PEC. Só que novamente foi remetida ao arquivo, sem apreciação.
Em fevereiro foi mais uma vez desarquivada e em maio foi designado o novo relator, Osmar Serraglio (PMDB-PR), também vice-líder do governo. Em seu parecer, ele acabou por se manifestar pela admissibilidade da PEC 215 e de outras 11, sendo nove semelhantes a ela e duas que pretendem permitir ao Congresso que, além das terras indígenas, também seja responsável pela demarcação de terras quilombolas e de unidades de conservação ambiental.
Foi a senha para que os petistas na CCJ se revoltassem. “Eles querem avançar sobre novas terras e vêm com a justificativa de que tudo ocorre à revelia. Estão com raiva porque, no modelo atual, o Estado atribui para si essa responsabilidade de demarcar e homologar essas terras”, afirmou Sibá Machado (PT-AC). “A PEC é inconstitucional porque fere o princípio da separação de poderes a partir do momento em que dá ao Congresso uma função que é do Executivo. Além disso, viola direitos e garantias individuais”, disse Alessandro Molon (PT-RJ).
Os ruralistas apontam aí uma reação “ideológica” do PT. A CCJ não discute o mérito, só a admissibilidade. O mérito será discutido em uma comissão especial, por se tratar de emenda constitucional”, disse Moreira Mendes. Ele afirmou também que “há uma criação indiscriminada de terras indígenas no país” e que “cada reserva indígena que se cria resolve-se o problema de meia dúzia de índios mas cria problemas a milhares de outras pessoas”. Para o deputado Vilson Covatti (PP-RS), a demarcação de terras é feita hoje de forma unilateral. “Um antropólogo nomeado pela Funai é quem decide. Tem área escolhida que índio nunca habitou.”

Fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/12/8/terra-indigena-e-o-proximo-alvo-dos-ruralistas

Professor Aziz Nacib Ab’Sáber expõe seu ponto de vista sobre o Código Florestal

No dia 16 de junho, as lideranças da Câmara dos Deputados também receberam carta do geógrafo e ambientalista Aziz Nacib Ab’Sáber – professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP –, que fez duras críticas ao relatório de reformulação da legislação.

Reconhecido como um dos principais conhecedores do bioma amazônico, Ab’Sáber defendeu que, “se houvesse um movimento para aprimorar o atual Código Florestal, teria que envolver o sentido mais amplo de um Código de Biodiversidades, levando em conta o complexo mosaico vegetacional de nosso território”. Segundo o geógrafo, a proposta foi apresentada anteriormente ao Governo Federal, mas a resposta era de que se tratava de “uma ideia boa mas complexa e inoportuna”.

No documento, Ab’Sáber afirma que “as novas exigências do Código Florestal proposto têm um caráter de liberação excessiva e abusiva”. Segundo ele, “enquanto o mundo inteiro repugna para a diminuição radical de emissão de CO2, o projeto de reforma proposto na Câmara Federal de revisão do Código Florestal defende um processo que significará uma onda de desmatamento e emissões incontroláveis de gás carbônico”.

A seguir reproduzimos o texto do professor Aziz Ab’Sáber sobre o Código Florestal, com recomendações sobre competência ética e científica daqueles que propõem a fazer essa discussão. O documento foi protocolado na Câmara Federal, às lideranças e para leitura em plenário. (Enviado por Carlos Bocuhy, Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental – PROAM)

Do Código Florestal para o Código da Biodiversidade

Em face do gigantismo do território e da situação real em que se encontram os seus macrobiomas – Amazônia Brasileira, Brasil Tropical Atlântico, Cerrados do Brasil Central, Planalto das Araucárias, e Pradarias Mistas do Brasil Subtropical – e de seus numerosos mini-biomas, faixas de transição e relictos de ecossistemas, qualquer tentativa de mudança no “Código Florestal” tem que ser conduzida por pessoas competentes e bioeticamente sensíveis. Pressionar por uma liberação ampla dos processos de desmatamento significa desconhecer a progressividade de cenários bióticos, a diferentes espaços de tempo futuro. Favorecendo de modo simplório e ignorante os desejos patrimoniais de classes sociais que só pensam em seus interesses pessoais, no contexto de um país dotado de grandes desigualdades sociais. Cidadãos de classe social privilegiada, que nada entendem de previsão de impactos. Não tem qualquer ética com a natureza. Não buscam encontrar modelos técnico-científicos adequados para a recuperação de áreas degradadas, seja na Amazônia, , seja no Brasil Tropical Atlântico, ou alhures. Pessoas para as quais exigir a adoção de atividades agrárias “ecologicamente auto-sustentadas” é uma mania de cientistas irrealistas.

Por muitas razões, se houvesse um movimento para aprimorar o atual Código Florestal, teria que envolver o sentido mais amplo de um Código de Biodiversidades, levando em conta o complexo mosaico vegetacional de nosso território. Remetemos essa ideia para Brasília, e recebemos em resposta que essa era uma ideia boa mas complexa e inoportuna (…). Entrementes, agora outras personalidades trabalham por mudanças estapafúrdias e arrasadoras no chamado Código Florestal. Razão pela qual ousamos criticar aqueles que insistem em argumentos genéricos e perigosos para o futuro do país. Sendo necessário, mais do que nunca, evitar que gente de outras terras, sobretudo de países hegemônicos, venha a dizer que fica comprovado que o Brasil não tem competência para dirigir a Amazônia (…). Ou seja, os revisores do atual Código Florestal não teriam competência para dirigir o seu todo territorial do Brasil. Que tristeza, gente minha.

O primeiro grande erro dos que no momento lideram a revisão do Código Florestal brasileiro – a favor de classes sociais privilegiadas – diz respeito à chamada estadualização dos fatos ecológicos de seu território específico. Sem lembrar que as delicadíssimas questões referentes à progressividade do desmatamento exigem ações conjuntas dos órgãos federais específicos, em conjunto com órgãos estaduais similares, uma Polícia Federal rural, e o Exército Brasileiro. Tudo conectado ainda com autoridades municipais, que tem muito a aprender com um Código novo que envolve todos os macrobiomas do país, e os minibiomas que os pontilham, com especial atenção para as faixas litorâneas, faixas de contato entre as áreas nucleares de cada domínio morfoclimático e fitogeográfico do território. Para pessoas inteligentes, capazes de prever impactos, a diferentes tempos do futuro, fica claro que ao invés da “estadualização”, é absolutamente necessário focar para o zoneamento físico e ecológico de todos os domínios de natureza dos pais. A saber, as duas principais faixas de Florestas Tropicais Brasileiras: a zonal amazônica e a azonal das matas atlânticas o domínio dos cerrados, cerradões e campestres: a complexa região semi-árida dos sertões nordestinos: os planaltos de araucárias e as pradarias mistas do Rio Grande do Sul, além de nosso litoral e o Pantanal Mato-grossense.

Seria preciso lembrar ao honrado relator Aldo Rabelo, que a meu ver é bastante neófito em matéria de questões ecológicas, espaciais e em futurologia – que atualmente na Amazônia Brasileira predomina um verdadeiro exercito paralelo de fazendeiros que em sua área de atuação tem mais força do que governadores e prefeitos. O que se viu em Marabá, com a passagem das tropas de fazendeiros, passando pela Avenida da Transamazônica, deveria ser conhecido pelos congressistas de Brasília, e diferentes membros do executivo. De cada uma das fazendas regionais passava um grupo de cinqüenta a sessenta camaradas, tendo a frente em cavalos nobres, o dono da fazenda e sua esposa, e os filhos em cavalos lindos. E os grupos iam passando separados entre si, por alguns minutos. E, alguém a pé, como se fosse um comandante, controlava a passagem da cavalgada dos fazendeiros. Ninguém da boa e importante cidade de Marabá saiu para observar a coluna amedrontadora dos fazendeiros. Somente dois bicicletistas meninos, deixaram as bicicletas na beira da calçada olhando silentes a passagem das tropas. Nenhum jornal do Pará, ou alhures, noticiou a ocorrência amedrontadora. Alguns de nós não pudemos atravessar a ponte para participar de um evento cultural.

Será certamente, apoiados por fatos como esse, que alguns proprietários de terras amazônicas deram sua mensagem, nos termos de que “a propriedade é minha e eu faço com ela o que eu quiser, como quiser e quando quiser”. Mas ninguém esclarece como conquistaram seus imensos espaços inicialmente florestados. Sendo que, alguns outros, vivendo em diferentes áreas do cetro-sul brasileiro, quando perguntados sobre como enriqueceram tanto, esclarecem que foi com os “seus negócios na Amazônia” (…). Ou seja, através de loteamentos ilegais, venda de glebas para incautos em locais de difícil acesso, os quais ao fim de um certo tempo, são libertados para madeireiros contumazes. E o fato mais infeliz é que ninguém procura novos conhecimentos para re-utilizar terras degradadas. Ou exigir dos governantes tecnologias adequadas para revitalizar os solos que perderam nutrientes e argilas, tornando-se dominadas por areias finas (siltização).

Entre os muitos aspectos caóticos, derivados de alguns argumentos dos revisores do Código, destaca-se a frase que diz que se deve proteger a vegetação até sete metros e meio do rio. Uma redução de um fato que por si já estava muito errado, porém agora está reduzido genericamente a quase nada em relação aos grandes rios do país. Imagine-se que para o rio Amazonas, a exigência protetora fosse apenas sete metros, enquanto para a grande maioria dos ribeirões e córregos também fosse aplicada a mesma exigência. Trata-se de desconhecimento entristecedor sobre a ordem de grandeza das redes hidrográficas do território intertropical brasileiro. Na linguagem amazônica tradicional, o próprio povo já reconheceu fatos referentes à tipologia dos rios regionais. Para eles, ali existem, em ordem crescente: igarapés, riozinhos, rios e parás. Uma última divisão lógica e pragmática, que é aceita por todos os que conhecem a realidade da rede fluvial amazônica.

Por desconhecer tais fatos os relatores da revisão aplicam o espaço de sete metros da beira de todos os cursos d’água fluviais sem mesmo ter ido lá para conhecer o fantástico mosaico de rios do território regional.

Mas o pior é que as novas exigências do Código Florestal proposto têm um caráter de liberação excessiva e abusiva. Fala-se em sete metros e meio das florestas beiradeiras (ripario-biomas), e, depois em preservação da vegetação de eventuais e distantes cimeiras. Não podendo imaginar quanto espaço fica liberado para qualquer tipo de ocupação do espaço. Lamentável em termos de planejamento regional, de espaços rurais e silvestres. Lamentável em termos de generalizações forçadas por grupos de interesse (ruralistas).

Já se poderia prever que um dia os interessados em terras amazônicas iriam pressionar de novo pela modificação do percentual a ser preservado em cada uma das propriedades de terras na Amazônia. O argumento simplista merece uma critica decisiva e radical. Para eles, se em regiões do centro-sul brasileiro a taxa de proteção interna da vegetação florestal é de 20%, porque na Amazônia a lei exige 80%. Mas ninguém tem a coragem de analisar o que aconteceu nos espaços ecológicos de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, e Minas Gerais com o percentual de 20%. Nos planaltos interiores de São Paulo a somatória dos desmatamentos atingiu cenários de generalizada derruição. Nessas importantes áreas, dominadas por florestas e redutos de cerrados e campestres, somente o tombamento integrado da Serra do Mar, envolvendo as matas atlânticas, os solos e as aguadas da notável escarpa, foi capaz de resguardar os ecossistemas orográficos da acidentada região. O restante, nos “mares de morros”, colinas e várzeas do Médio Paraíba e do Planalto Paulistano, e pró-parte da Serra da Mantiqueira, sofreram uma derruição deplorável. É o que alguém no Brasil – falando de gente inteligente e bioética – não quer que se repita na Amazônia Brasileira, em um espaço de 4.200.000 km².

Os relatores do Código Florestal, falam em que as áreas muito desmatadas e degradadas poderiam ficar sujeitas a “(re)florestamento” por espécies homogêneas pensando em eucalipto e pinus. Uma prova de sua grande ignorância, pois não sabem a menor diferença entre reflorestamento e florestamento. Esse último, pretendido por eles, é um fato exclusivamente de interesse econômico empresarial, que infelizmente não pretende preservar biodiversidades. Sendo que, eles procuram desconhecer que para áreas muito degradadas, foi feito um plano de (re)organização dos espaços remanescentes, sob o enfoque de revigorar a economia de pequenos e médios proprietários: Projeto FLORAM. Os eucaliptólogos perdem éticos quando alugam espaços por trinta anos, de incautos proprietários, preferindo áreas dotadas ainda de solos tropicais férteis,do tipo dos oxissolos, e evitando as áreas degradadas de morros pelados reduzidas a trilhas de pisoteio, hipsométricas, semelhantes ao protótipo existente no Planalto do Alto Paraíba, em São Paulo. Ao arrendar terras de bisonhos proprietários, para uso em 30 anos, e sabendo que os donos da terra podem morrer quando se completar o prazo. Fato que cria um grande problema judicial para os herdeiros, sendo que ao fim de uma negociação as empresas cortam todas as árvores de eucaliptos ou pinos, deixando miríades de troncos no chão do espaço terrestre. Um cenário que impede a posterior reutilização das terras para atividades agrárias. Tudo isso deveria ser conhecido por aqueles que defendem ferozmente um Código Florestal liberalizante.

Por todas as razoes somos obrigados a criticar a persistente e repetitiva argumentação do deputado Aldo Rebelo, que conhecemos ha muito tempo, e de quem sempre esperávamos o melhor, no momento somos obrigados a lembrar a ele que cada um de nós tem que pensar na sua biografia e, sendo político, tem que honrar a história de seus partidos. Mormente, em relação aos partidos que se dizem de esquerda e jamais poderiam fazer projetos totalmente dirigidos para os interesses pessoais de latifundiários.

Insistimos que em qualquer revisão do Código Florestal vigente, deve-se enfocar as diretrizes através das grandes regiões naturais do Brasil, sobretudo domínios de natureza muito diferentes entre si, tais como a Amazônia, e suas extensíssimas florestas tropicais, e o Nordeste Seco, com seus diferentes tipos de caatingas. Tratam-se de duas regiões opósitas em relação à fisionomia e à ecologia, assim como em face das suas condições socioambientais. Ao tomar partido pelos grandes domínios administrados técnica e cientificamente por órgãos do executivo federal, teríamos que conectar instituições específicas do governo brasileiro com instituições estaduais similares. Existem regiões como a Amazônia que envolve conexões com nove estados do Norte Brasileiro. Em relação ao Brasil Tropical Atlântico os órgãos do Governo Federal – IBAMA, IPHAN, FUNAI e INCRA – teriam que manter conexões com os diversos setores similares dos governos estaduais de norte a sul do Brasil. E assim por diante.

Enquanto o mundo inteiro repugna para a diminuição radical de emissão de CO2, o projeto de reforma proposto na Câmara Federal de revisão do Código Florestal defende um processo que significará uma onda de desmatamento e emissões incontroláveis de gás carbônico, fato observado por muitos críticos em diversos trabalhos e entrevistas.

Parece ser muito difícil para pessoas não iniciadas em cenários cartográficos perceber os efeitos de um desmatamento na Amazônia de até 80% das propriedades rurais silvestres. Em qualquer espaço do território amazônico, que vem sendo estabelecidas glebas com desmate de até 80%,haverá um mosaico caótico de áreas desmatadas e faixas inter-propriedades estreitas e mal preservadas. Nesse caso, as bordas dos restos de florestas, inter-glebas ficarão à mercê de corte de arvores dotadas de madeiras nobres. E, além disso, a biodiversidade animal certamente será profundamente afetada.

Seria necessário que os pretensos reformuladores do Código Florestal lançassem sobre o papel os limites de glebas de 500 a milhares de quilômetros quadrados, e dentro de cada parcela das glebas colocasse indicações de 20% correspondente às florestas ditas preservadas. E, observando o resultado desse mapeamento simulado, poderiam perceber que o caminho da devastação lenta e progressiva iria criar alguns quadros de devastação similares ao que já aconteceu nos confins das longas estradas e seus ramais, em áreas de quarteirões implantados para venda de lotes de 50 a 100 hectares, onde o arrasamento de florestas no interior de cada quarteirão foi total e inconseqüente.

Aziz Nacib Ab’Sáber

São Paulo, 16 de junho de 2010.

Fonte: http://www.brasilianasorg.com.br/blog/gustavo-belic-cherubine/aziz-nacib-ab%E2%80%99saber-e-o-codigo-florestal

Realidade de povos indígenas brasileiros em discussão

Não há dados precisos, mas estimativas apontam que a população indígena no Brasil poderia ser de até 10 milhões de habitantes quando os portugueses descobriram o país. A Funai calcula que cerca de 1.300 línguas eram faladas pelas muitas sociedades indígenas que povoavam o Brasil. Atualmente, porém, esse panorama é bem diferente. A dizimação dos povos indígenas é uma das ignomínias da nossa história.

A Editora Unesp resgata títulos que compõem um quadro da realidade indígena brasileira, abordando a questão sob diferentes pontos de vista e buscando contemplar da forma mais ampla possível a complexidade do tema. A série de livros publicados em parceria com o Instituto Socioambiental e o Núcleo de Transformações Indígenas reúne estudos realizados por antropólogos sobre diversas sociedades indígenas. São seis títulos que apresentam um quadro detalhado da realidade cultural e histórica das tradições dos povos pesquisados.

O livro Educação indígena x educação escolar indígena (110 págs, R$ 26) traz a discussão da instituição da escola, particularmente do ensino escolar de matemática, entre os Kuikuro, e opõe educação escolar indígena e educação indígena. O autor descreve a construção dos procedimentos didáticos referenciados ao cotidiano e às práticas rituais na aldeia, enfocando o sistema numérico Kuikuro e a construção de formas geométricas, notadamente a elipse e a hipérbole, em diversos artefatos, na arquitetura e na disposição espacial da aldeia.

Educação indígena

Filhos da cobra de pedra (361 págs, R$ 50) é um estudo da organização social tuyuka. Seu horizonte teórico é o sistema social do Uaupés, a respeito do qual várias descrições de grande valor etnográfico já foram publicadas. As informações sobre os Tuyuka da área da fronteira Brasil-Colômbia contribuem para adensar o entendimento dos grupos Tukano Orientais e da região do alto rio Negro.

Filhos da cobra de pedra

No livro A duração da pessoa (448 págs, R$ 55), Elizabeth Pissolato compõe um mapa geral das aldeias Mbya Araponga e Parati Mirim. Apresenta a população, formas de ocupação das aldeias, particularidades de liderança, organização do trabalho e reza. E sob o ponto de vista da cosmologia Mbya, trata da questão da não-durabilidade da vida humana, a doença, da noção de alma e dos nomes próprios.

A duração da pessoa

(480 págs, R$ 55) é um estudo situado na confluência da História com a Antropologia. A obra conta a história de um pequeno grupo humano, composta a partir de uma documentação secundária e pouco expressiva somada a relatos locais. O livro busca a visão que os herdeiros deste grupo têm dessa história, e ainda o papel que essa visão exerce na vida social – um ser, um ver e um fazer entretecidos.

Os dados empíricos somados ao tratamento das fontes históricas produziram a obra Cidade do Índio (448 págs, R$ 55), que elucida as premissas sociocosmológicas pelas quais os grupos indígenas descrevem e vivenciam as transformações sociais vividas na região desde o início da colonização no século XVIII. Nessa linha, o antropólogo Geraldo Andrello constrói sua narrativa visando preservar um ponto de vista indígena e seu repertório simbólico, guiando-se pelo estilo das próprias descrições nativas e oferecendo um quadro para a compreensão dessa realidade.

O nome e o tempo dos Yaminawa

Com base em uma detalhada etnografia do caráter inflacionário do consumo entre os índios Xikrin, Economia Selvagem (456 págs, R$ 55), de César Gordon, nos mostra que o desejo indígena pelos objetos que lhes são estrangeiros não é exótico. Ao contrário, é a expressão de um propósito e de uma história propriamente indígenas, com profundas conexões com a cosmologia, o sistema ritual e o parentesco.

Em Um peixe olhou para mim (400 págs, R$ 49), por sua vez, encontra-se um dos mais fecundos conceitos etnológicos recentes, o perspectivismo sociocosmológico ameríndio. Escrita por Tânia Stolze Lima, a obra é baseada em um trabalho de campo clássico – de inserção total na comunidade estudada e isolamento do mundo branco –, mas a sistematização das informações etnográficas é realizada sem a pressuposição de uma unidade “a ser buscada por meio das categorias da finalidade cultural, da causalidade sociológica ou da totalidade hierárquica”.

Enfrentando os desafios teóricos da etnologia amazônica, Cristiane Lasmar acompanha as transformações que ocorrem no modo de vida dos índios quando eles deixam suas comunidades de origem e passam a residir na cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM). Sua obra, De volta ao lago de leite (288 páginas, R$ 37), analisa as concepções cosmológicas dos índios, observando o modo como o material “civilizado” é apreendido e apropriado pelos Tukanos e Aruaque. O livro estuda ainda como eles constroem a imagem dos índios para si mesmos e como concebem os brancos, as cidades e suas relações com ambos.

Veja também:

* O caminhar sob a luz: território mbya à beira do oceano (200 págs, R$ 38), de Maria Inês Ladeira

* Caminhos da Identidade – ensaios sobre a etnicidade e multiculturalismo (256 págs, R$ 39), de Roberto Cardoso de Oliveira

Os livros da Fundação Editora da Unesp podem ser adquiridos pelo site: www.editoraunesp.com.br ou www.livrariaunesp.com.br

Fonte: Editora UNESP

Nome de um índio guarani agora faz parte do Livro de Aço dos Heróis Nacionais

Nome de um índio guarani agora faz parte do Livro de Aço dos Heróis Nacionais
Elisa Tecles – Correio Braziliense
O nome de um índio guarani ocupará uma página no Livro de Aço dos Heróis Nacionais, exposto no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes. Sepé Tiaraju é o 11º herói a entrar na publicação que homenageia brasileiros marcantes na história do país. Ele viveu no século 18 e lutou pela população guarani no Rio Grande do Sul. A Lei nº 12.032, publicada no último dia 22, determina a inscrição de Tiaraju.
José Tiaraju era mais conhecido por Sepé, que, na língua guarani, significa facho de luz. Ele morava em uma região do Rio Grande do Sul pertencente à Espanha, quando foi assinado o Tratado de Madri, em 1750. No documento, os reis de Portugal e da Espanha combinavam uma troca de terrenos. Os guaranis teriam que abandonar as cidades para cumprir o acordo. Tiaraju liderou os guaranis na oposição ao tratado — a Guerra Guaranítica começou em 1754 e seguiu até 1756. No último ano da batalha, o líder indígena e mais 1,5 mil índios lutaram contra mais de 3 mil homens. Diários de guerra do exército português contam que ele foi abatido com uma lança por um português, depois levou um tiro de um espanhol. A coragem de Tiaraju o fez conhecido por todo o Rio Grande do Sul.
Sepé Tiaraju é o primeiro índio a entrar no Livro de Aço. “Estamos em um momento de sensibilidade diferente para esse tipo de escolha. A lista já tinha o Zumbi, que era negro, agora tem um indígena. Vivemos uma aceitação diferente dessas referências na cultura”, comentou o coordenador-geral de Fomento à Identidade e à Diversidade do Ministério da Cultura, Marcelo Manzatti. Segundo ele, Tiaraju é cultuado há décadas pelos guaranis. “Mas isso fica na boca do povo e nunca passa para lugares consagrados”, completou.
Cerca de 100 mil índios fazem parte da população guarani na América do Sul — é o maior povo indígena do país. Eles estão em sete estados brasileiros, do Espírito Santo até o Rio Grande do Sul. Faz parte da cultura guarani se deslocar — há grupos até no Uruguai. “É um dos povos que tem sua cultura mais preservada. Eles têm consciência disso e estão sempre praticando a cultura”, explicou Marcelo.
Qualquer cidadão brasileiro pode indicar um nome para receber a homenagem no Livro de Aço. A proposta deve ser aprovada pelo Congresso Nacional para virar realidade. O primeiro passo é apresentar a ideia a um deputado ou senador, que têm autonomia para criar projetos de lei. O parlamentar escreve o projeto e o envia para a Coordenação de Comissões Permanentes. O projeto segue para a Comissão de Educação e Cultura, depois passa para a Comissão de Constituição e Justiça. No plenário, os parlamentares votam pela criação ou não da lei.
O último passo é a sanção do presidente. Se ele aprovar a proposta, a nova lei é publicada no Diário Oficial. “A partir daí, aquele cidadão pode ser considerado um herói nacional. A outra questão é um grupo de pessoas, um órgão do governo ou uma organização não governamental tomar a frente e organizar a festividade”, explicou o professor do projeto Visitando a praça, conhecendo Brasília, Ernesto Ilísio de Oliveira. A iniciativa leva estudantes de colégios públicos e particulares para conhecer a Praça dos Três Poderes.
Gravação
Com a lei aprovada, basta marcar a solenidade de entronização do homenageado e encomendar a inscrição no livro. Nessa etapa, a página dedicada ao herói — cada figura ilustre tem uma página própria — é destacada e enviada a uma pessoa que grava as letras no aço. Atualmente, há 10 páginas preenchidas no livro e duas estão vazias. A inclusão de Sepé Tiaraju deixará uma só vaga para os heróis.
Ernesto ressalta que há outros cinco nomes na mesma situação do índio guarani: a lei foi sancionada, mas a inscrição ainda não foi feita. A lei que inclui Chico Mendes na lista está sancionada desde 2004, mas o registro nunca foi realizado. Na mesma situação, encontram-se os nomes de Frei Caneca, Marechal Osório, Ildefonso Pereira Correia (Barão de Cerro Azul) e Brigadeiro Sampaio. Duas leis em tramitação no Congresso Nacional defendem a inclusão de duas heroínas nacionais no livro: Anita Garibaldi e Maria Quitéria.
O Livro de Aço fica exposto no salão central do Panteão da Pátria, mas atualmente está fechado para visitas por conta de uma obra. O prédio passará por uma reforma completa e deve ficar pronto até o cinquentenário de Brasília, em 21 de abril de 2010. A reforma inclui a troca das peças de mármore que revestem a fachada, mudanças no piso e nas paredes, além de impermeabilização. Mais informações sobre o espaço no site da Secretaria de Cultura do DF: http://www.sc.df.gov.br.
Heróis da pátria
O Livro de Aço dos Heróis Nacionais fica no salão principal do Panteão e contém as inscrições dos nomes de 10 figuras ilustres do país. A Lei nº 11.597, de 2007, estabelece que o livro destina-se ao registro perpétuo de brasileiros (ou grupos de brasileiros) que tenham oferecido a vida à pátria, para sua defesa e construção, com dedicação e heroísmo. A homenagem só pode ser prestada depois de 50 anos da morte da pessoa — exceto em casos de mortos ou presumidamente mortos em campo de batalha. Os nomes atualmente presentes no livro são:
Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes (1746 – 1792)
O primeiro brasileiro a entrar no livro nasceu em Minas Gerais e foi mascate, dentista e pesquisou minerais. Em 1789, integrou um movimento contra os altos impostos cobrados na época. Naquele ano, Joaquim Silvério dos Reis revelou a existência do grupo ao governo mineiro e assim se deu a perseguição contra os inconfidentes. Tiradentes foi enforcado, teve o corpo esquartejado e a cabeça exposta em um poste.
Zumbi dos Palmares (1655 – 1695)
Nasceu no Quilombo dos Palmares, para onde iam negros que escapavam das senzalas. Ainda criança, ele foi entregue a um missionário, mas retornou ao quilombo na adolescência. Zumbi conquistou a liderança do quilombo e ficou ferido durante uma invasão no local. Foi traído e sofreu um atentado, mas resistiu. O herói foi morto no ano seguinte e teve a cabeça exposta em praça pública.
Marechal Deodoro da Fonseca (1827 – 1892)
Ingressou no exército aos 18 anos, na Arma de Artilharia. Lutou na Guerra do Paraguai e liderou a facção do exército favorável à abolição da escravatura. Depois de abandonar o comando, ele se mudou para o Rio de Janeiro. Em 15 de novembro de 1889, o marechal proclamou a República.
D. Pedro I (1798 – 1834)
Nascido em Lisboa, filho de D. João e D. Carlota Joaquina, D. Pedro I chegou ao Rio de Janeiro em 1808 com a família real. Assumiu o título de príncipe do Reino do Brasil em 1821, quando a família voltou para Portugal. Proclamou a Independência do país em 7 de setembro de 1822.
Duque de Caxias (1803 – 1880)
Como tenente do Batalhão do Imperador, ele participou de movimentos pela Independência. Foi nomeado comandante em chefe das forças do Império em operações contra o Paraguai. Ganhou o título de duque em 1870 — o primeiro do país. Em 1962, Duque de Caxias foi instituído patrono do Exército Brasileiro.
Plácido de Castro (1873 – 1908)
Plácido de Castro saiu de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, rumo ao Acre em 1899. Ele liderou os brasileiros instalados no território para expulsar os bolivianos que ali viviam. Em 1903, foi proclamada a autonomia do Acre e Castro assumiu o governo provisório do estado.
Almirante Tamandaré 1807 – 1897)
Joaquim Marques Lisboa, o Almirante Tamandaré, entrou no livro por ter feito parte da campanha da Independência do Brasil. Ele participou da repressão aos revolucionários, esteve na Confederação do Equador e lutou na Guerra do Paraguai. O almirante é patrono da Marinha Brasileira e a data de seu nascimento, 13 de dezembro, virou o Dia do Marinheiro.
Almirante Barroso (1804 – 1882)
Francisco Manoel Barroso da Silva era natural de Portugal, mas veio ao Brasil ainda criança acompanhando a comitiva da família real portuguesa. Ele entrou na Academia da Marinha, no Rio de Janeiro, e comandou a Força Naval Brasileira na Batalha Naval do Riachuelo.
Alberto Santos Dumont (1873 – 1932)
O nome de Santos Dumont entrou no livro em 2006, ano de comemoração do centenário do voo do 14-bis, avião idealizado pelo mineiro. Ele é patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira.
José Bonifácio de Andrada e Silva (1763 – 1838)
Estudou e trabalhou em Portugal até 1819, quando voltou ao Brasil e iniciou a carreira pública. Foi um dos principais articuladores da Independência do Brasil, conquistada em 7 de setembro de 1822.
Fonte: Correio Braziliense

O nome de um índio guarani ocupará uma página no Livro de Aço dos Heróis Nacionais, exposto no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes. Sepé Tiaraju é o 11º herói a entrar na publicação que homenageia brasileiros marcantes na história do país. Ele viveu no século 18 e lutou pela população guarani no Rio Grande do Sul. A Lei nº 12.032, publicada no último dia 22, determina a inscrição de Tiaraju.

José Tiaraju era mais conhecido por Sepé, que, na língua guarani, significa facho de luz. Ele morava em uma região do Rio Grande do Sul pertencente à Espanha, quando foi assinado o Tratado de Madri, em 1750. No documento, os reis de Portugal e da Espanha combinavam uma troca de terrenos. Os guaranis teriam que abandonar as cidades para cumprir o acordo. Tiaraju liderou os guaranis na oposição ao tratado — a Guerra Guaranítica começou em 1754 e seguiu até 1756. No último ano da batalha, o líder indígena e mais 1,5 mil índios lutaram contra mais de 3 mil homens. Diários de guerra do exército português contam que ele foi abatido com uma lança por um português, depois levou um tiro de um espanhol. A coragem de Tiaraju o fez conhecido por todo o Rio Grande do Sul.

Sepé Tiaraju é o primeiro índio a entrar no Livro de Aço. “Estamos em um momento de sensibilidade diferente para esse tipo de escolha. A lista já tinha o Zumbi, que era negro, agora tem um indígena. Vivemos uma aceitação diferente dessas referências na cultura”, comentou o coordenador-geral de Fomento à Identidade e à Diversidade do Ministério da Cultura, Marcelo Manzatti. Segundo ele, Tiaraju é cultuado há décadas pelos guaranis. “Mas isso fica na boca do povo e nunca passa para lugares consagrados”, completou.

Cerca de 100 mil índios fazem parte da população guarani na América do Sul — é o maior povo indígena do país. Eles estão em sete estados brasileiros, do Espírito Santo até o Rio Grande do Sul. Faz parte da cultura guarani se deslocar — há grupos até no Uruguai. “É um dos povos que tem sua cultura mais preservada. Eles têm consciência disso e estão sempre praticando a cultura”, explicou Marcelo.

Qualquer cidadão brasileiro pode indicar um nome para receber a homenagem no Livro de Aço. A proposta deve ser aprovada pelo Congresso Nacional para virar realidade. O primeiro passo é apresentar a ideia a um deputado ou senador, que têm autonomia para criar projetos de lei. O parlamentar escreve o projeto e o envia para a Coordenação de Comissões Permanentes. O projeto segue para a Comissão de Educação e Cultura, depois passa para a Comissão de Constituição e Justiça. No plenário, os parlamentares votam pela criação ou não da lei.

O último passo é a sanção do presidente. Se ele aprovar a proposta, a nova lei é publicada no Diário Oficial. “A partir daí, aquele cidadão pode ser considerado um herói nacional. A outra questão é um grupo de pessoas, um órgão do governo ou uma organização não governamental tomar a frente e organizar a festividade”, explicou o professor do projeto Visitando a praça, conhecendo Brasília, Ernesto Ilísio de Oliveira. A iniciativa leva estudantes de colégios públicos e particulares para conhecer a Praça dos Três Poderes.

Gravação

Com a lei aprovada, basta marcar a solenidade de entronização do homenageado e encomendar a inscrição no livro. Nessa etapa, a página dedicada ao herói — cada figura ilustre tem uma página própria — é destacada e enviada a uma pessoa que grava as letras no aço. Atualmente, há 10 páginas preenchidas no livro e duas estão vazias. A inclusão de Sepé Tiaraju deixará uma só vaga para os heróis.

Ernesto ressalta que há outros cinco nomes na mesma situação do índio guarani: a lei foi sancionada, mas a inscrição ainda não foi feita. A lei que inclui Chico Mendes na lista está sancionada desde 2004, mas o registro nunca foi realizado. Na mesma situação, encontram-se os nomes de Frei Caneca, Marechal Osório, Ildefonso Pereira Correia (Barão de Cerro Azul) e Brigadeiro Sampaio. Duas leis em tramitação no Congresso Nacional defendem a inclusão de duas heroínas nacionais no livro: Anita Garibaldi e Maria Quitéria.

O Livro de Aço fica exposto no salão central do Panteão da Pátria, mas atualmente está fechado para visitas por conta de uma obra. O prédio passará por uma reforma completa e deve ficar pronto até o cinquentenário de Brasília, em 21 de abril de 2010. A reforma inclui a troca das peças de mármore que revestem a fachada, mudanças no piso e nas paredes, além de impermeabilização. Mais informações sobre o espaço no site da Secretaria de Cultura do DF: www.sc.df.gov.br.

Heróis da pátria

Livro de Aço dos Heróis Nacionais fica no salão principal do Panteão e contém as inscrições dos nomes de 10 figuras ilustres do país. A Lei nº 11.597, de 2007, estabelece que o livro destina-se ao registro perpétuo de brasileiros (ou grupos de brasileiros) que tenham oferecido a vida à pátria, para sua defesa e construção, com dedicação e heroísmo. A homenagem só pode ser prestada depois de 50 anos da morte da pessoa — exceto em casos de mortos ou presumidamente mortos em campo de batalha. Os nomes atualmente presentes no livro são:

Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes (1746 – 1792)

O primeiro brasileiro a entrar no livro nasceu em Minas Gerais e foi mascate, dentista e pesquisou minerais. Em 1789, integrou um movimento contra os altos impostos cobrados na época. Naquele ano, Joaquim Silvério dos Reis revelou a existência do grupo ao governo mineiro e assim se deu a perseguição contra os inconfidentes. Tiradentes foi enforcado, teve o corpo esquartejado e a cabeça exposta em um poste.

Zumbi dos Palmares (1655 – 1695)

Nasceu no Quilombo dos Palmares, para onde iam negros que escapavam das senzalas. Ainda criança, ele foi entregue a um missionário, mas retornou ao quilombo na adolescência. Zumbi conquistou a liderança do quilombo e ficou ferido durante uma invasão no local. Foi traído e sofreu um atentado, mas resistiu. O herói foi morto no ano seguinte e teve a cabeça exposta em praça pública.

Marechal Deodoro da Fonseca (1827 – 1892)

Ingressou no exército aos 18 anos, na Arma de Artilharia. Lutou na Guerra do Paraguai e liderou a facção do exército favorável à abolição da escravatura. Depois de abandonar o comando, ele se mudou para o Rio de Janeiro. Em 15 de novembro de 1889, o marechal proclamou a República.

D. Pedro I (1798 – 1834)

Nascido em Lisboa, filho de D. João e D. Carlota Joaquina, D. Pedro I chegou ao Rio de Janeiro em 1808 com a família real. Assumiu o título de príncipe do Reino do Brasil em 1821, quando a família voltou para Portugal. Proclamou a Independência do país em 7 de setembro de 1822.

Duque de Caxias (1803 – 1880)

Como tenente do Batalhão do Imperador, ele participou de movimentos pela Independência. Foi nomeado comandante em chefe das forças do Império em operações contra o Paraguai. Ganhou o título de duque em 1870 — o primeiro do país. Em 1962, Duque de Caxias foi instituído patrono do Exército Brasileiro.

Plácido de Castro (1873 – 1908)

Plácido de Castro saiu de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, rumo ao Acre em 1899. Ele liderou os brasileiros instalados no território para expulsar os bolivianos que ali viviam. Em 1903, foi proclamada a autonomia do Acre e Castro assumiu o governo provisório do estado.

Almirante Tamandaré 1807 – 1897)

Joaquim Marques Lisboa, o Almirante Tamandaré, entrou no livro por ter feito parte da campanha da Independência do Brasil. Ele participou da repressão aos revolucionários, esteve na Confederação do Equador e lutou na Guerra do Paraguai. O almirante é patrono da Marinha Brasileira e a data de seu nascimento, 13 de dezembro, virou o Dia do Marinheiro.

Almirante Barroso (1804 – 1882)

Francisco Manoel Barroso da Silva era natural de Portugal, mas veio ao Brasil ainda criança acompanhando a comitiva da família real portuguesa. Ele entrou na Academia da Marinha, no Rio de Janeiro, e comandou a Força Naval Brasileira na Batalha Naval do Riachuelo.

Alberto Santos Dumont (1873 – 1932)

O nome de Santos Dumont entrou no livro em 2006, ano de comemoração do centenário do voo do 14-bis, avião idealizado pelo mineiro. Ele é patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira.

José Bonifácio de Andrada e Silva (1763 – 1838)

Estudou e trabalhou em Portugal até 1819, quando voltou ao Brasil e iniciou a carreira pública. Foi um dos principais articuladores da Independência do Brasil, conquistada em 7 de setembro de 1822.

Fonte: Correio Braziliense - http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/10/04/cidades,i=146160/NOME+DE+UM+INDIO+GUARANI+AGORA+FAZ+PARTE+DO+LIVRO+DE+ACO+DOS+HEROIS+NACIONAIS.shtml