FILOSOFIA PARA TODOS: 95 obras inéditas para download

Segue abaixo lista inédita com mais ou menos 95 obras de filosofia, composta em sua maioria por coletas em nosso grupo(Arquivos Kronos). Agradecemos aos semeadores.

Boa leitura!

https://drive.google.com/folderview?id=0B4UG_F2QeFUlUDEzLVZMUldvX28&usp=sharing

  • AGOSTINHO, Santo. Confissões; De magistro [coleção os pensadores]
  • ALVES, Rubem. Filosofia da ciência
  • BACHELARD, Gaston. A poética do espaço
  • BERLIN, Isaiah. Quatro ensaios sobre a liberdade
  • BONOMI, Andrea. Fenomenologia e estruturalismo
  • BUTLER, Judith. El genero en disputa [español]
  • BUTLER, Judith. Lenguaje, poder e identidad [español]
  • BUTLER, Judith. Marcos de Guerra [español]
  • BUTLER, Judith. Mecanismos psíquicos del poder [español]
  • BUTLER, Judith. Problemas de Genero 1-2
  • BUTLER, Judith. Sujetos del deseo – reflexiones hegelianas en la Francia del siglo XX
  • BUTLER; ATHANASIOU. Dispossession – the performative in the political
  • BUTLER; HABERMAS; TAYLOR. The Power of Religion in the Public Sphere
  • BUTLER; LACLAU; ZIZEK. Contingencia, hegemonia, universalidad
  • BUTLER; SCOTT. Feminists theorize the political
  • CIORAN, Emil. Silogismos da Amargura
  • DAVIDSON, Donald. Ensayos sobre acciones y sucesos
  • DELEUZE, Gilles. Francis Bacon – lógica da sensação
  • DELEUZE; GUATTARI. Mil platôs – capitalismo e esquizofrenia, vol. I
  • ENGELS, F. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado
  • FEUERBACH, L. Princípios da filosofia do futuro
  • FLUSSER, Vilém. Filosofia da Caixa Preta – Ensaios para uma futura filosofia da fotografia
  • GAGNEBIN, Jeanne Marie. Historia e narração em Walter Benjamin
  • GAGNEBIN, Jeanne Marie. Lembrar Escrever Esquecer
  • HAACK, Susan. Filosofia das lógicas
  • HAMLYN, D. Uma história da filosofia ocidental
  • HARDT; NEGRI. Império
  • HEGEL, G. Enciclopedia de las ciencias filosóficas [español]
  • HEIDEGGER, Martin. Nietzsche. Tomo I
  • HEIDEGGER, Martin. Nietzsche. Tomo II
  • HUME, D. Resumo de um tratado da natureza humana
  • HYPPOLITE, Jean. Ensaios de Psicanálise e Filosofia
  • KANT, I. A paz perpétua
  • KENNY, Anthony. História Concisa da Filosofia Ocidental
  • KIERKEGAARD, Sören. El concepto de la angustia
  • KOJÈVE, A. Introducao a leitura de Hegel
  • KONDER, Leandro. Hegel – a razão quase enlouquecida
  • LATOUR, Bruno. A vida de laboratório
  • LUKÁCS, G. Introdução a uma estética marxista
  • LUKÁCS, G. The sociology of modern drama
  • MACHADO, Roberto. Deleuze, a arte e a filosofia
  • MARCONDES, Danilo. Introdução à história da filosofia
  • MARCUSE, Herbert. Algumas implicações sociais da tecnologia moderna
  • MARX, Karl. A ideologia alemã (boitempo)
  • MARX, Karl. Diferencia general entre filosofia democritea y epicurea de la naturaleza [Tese de Doutorado 1841]
  • MARX, Karl. O capital
  • MARX, Karl. Sobre a questão judaica
  • MÉSZÁROS, István. A Atualidade Histórica da Ofensiva Socialista
  • MÉSZÁROS, István. A Educação Para Além do Capital
  • MÉSZÁROS, István. A Necessária Reconstituição da Dialética Histórica
  • MÉSZÁROS, István. A Obra de Sartre
  • MÉSZÁROS, István. Aspects of History and Class Consciousness
  • MÉSZÁROS, István. Bolívar and Chávez – The Spirit of Radical Determination
  • MÉSZÁROS, István. Crise Estrutural Necessita de Mudança Estrutural
  • MÉSZÁROS, István. El Desafio y La Carga Del Tiempo Histórico
  • MÉSZÁROS, István. Entrevista – Marxismo, sistema do Capital e Socialismo Hoje
  • MÉSZÁROS, István. Filosofia, Ideologia e Ciência Social
  • MÉSZÁROS, István. Lukács Concept of Dialectic
  • MÉSZÁROS, István. O Desafio e o Fardo do Tempo Histórico – Conferência
  • MÉSZÁROS, István. O Século XXI – Socialismo ou barbárie
  • MÉSZÁROS, István. Para Além do Capital
  • MÉSZÁROS, István. Reflections on the New Internacional
  • MÉSZÁROS, István. Socialismo o Barbarie
  • MÉSZÁROS, István. Structural Crisis Needs Structural Change
  • MÉSZÁROS, István. The Challenge and Burden of Historical Time
  • MÉSZÁROS, István. The Communal System and the Principle of Self Critique
  • MÉSZÁROS, István. The Dialectic of Structure and History – An Introduction
  • MÉSZÁROS, István. The Work of Sartre
  • MILL, John Stuart. Princípios de Economia Política – Vol I
  • MUSSE; LOUREIRO. Capítulos do marxismo ocidental
  • NIETZSCHE, F. A filosofia na época trágica dos gregos
  • NIETZSCHE, F. A filosofia na idade trágica dos gregos
  • NIETZSCHE, F. A visão dionisíaca do mundo
  • NIETZSCHE, F. Escritos de Retórica
  • NIETZSCHE, F. Introdução à tragédia de Sófocles
  • NIETZSCHE, F. Sobre verdade e mentira
  • NIGRO, Rachel. A virada linguistico pragmatica e o pós-positivismo
  • PALMER, R. Hermeneutica
  • PELBART, Peter. O avesso do niilismo cartografias do esgotamento
  • RANCIÈRE, J. A ficção documental
  • RANCIÈRE, J. Aisthesis. Scenes from the Aesthetic Regime of Art
  • RANCIÈRE, J. Momentos politicos
  • RUSSELL, Bertrand. El ABC de la relatividad
  • RUSSELL, Bertrand. Funções de um professor
  • RUSSELL, Bertrand. Mysticism and logic and other essays
  • RUSSELL, Bertrand. Our knowledge of the external world
  • RUSSELL, Bertrand. The conquest of happiness
  • SAFATLE, V. Curso sobre Hegel
  • SIMONDON, G. A gênese do indivíduo
  • SLOTERDIJK, Peter. Critica de la razon cinica
  • SLOTERDIJK, Peter. Mobilização copernicana e desarmamento ptolomaico
  • SLOTERDIJK, Peter. O desprezo das massas
  • SLOTERDIJK, Peter. Regras para o parque humano (uma resposta à carta de Heidegger)
  • SLOTERDIJK, Peter. Temperamentos filosóficos – de Platón a Foucault
  • SLOTERDIJK, Peter. Textos
  • UHLMANN, Günter Wilhelm. Teoria geral dos sistemas

Fonte: http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.br/2015/03/filosofia-95-obras-ineditas-para.html

 

Luciana Cruz: protagonista do Cambury

Após o LUTO, vamos à LUTA. GALERIA DE ARTE DA JOVEM ARTISTA QUILOMBOLA LUCIANA CRUZ – http://estacaomemoriacamburi.wordpress.com/protagonistas/luciana-cruz/

Luciana Cruz.

Passados 3 anos, Comunidade de Camburi ainda continua sem PONTES

FAZ QUASE TRÊS ANOS QUE A COMUNIDADE RECLAMA DO PODER PÚBLICO A CONSTRUÇÃO DE PONTES NA COMUNIDADE QUILOMBOLA DE CAMBURY

A Associação dos Moradores Caiçaras (AMBAÇA) e a Associação dos Quilombolas de Cambury, em UBATUBA, litoral norte, reclama desde 2009 para que providências sejam tomadas quanto a ACESSIBILIDADE de idosos e crianças.

No Réveillon (31.12.2009) os moradores do Quilombo de Cambury em Ubatuba ficaram desamparados em razão dos estragos promovidos pelas enchentes na região. Na virada do ano, um casal morreu na praia de Camburi, quando tentava atravessar a precária ponte de madeira que separa o Quilombo da região da praia. Os dois jovens foram arrastados pela correnteza e amanheceram mortos no dia seguinte (01.01.2010). Segundo o quilombola Alcides, a tristeza tomou conta da comunidade, pois a comunidade depende da visitação dos turistas para ampliarem a fonte de renda. Agora, os quilombolas ficaram ainda mais isolados…

Além da falta de acessibilidade para idosos e crianças, Sr. Genésio reclama de outros serviços de infraestrutura, estrada, saneamento, telefones comunitários e aumento na oferta de horários de ônibus, ou o pessoal pensa que ninguém precisa trabalhar e estudar em Cambury?

A construção de PONTES seria a solução para os transtornos que estão vivendo, principalmente os IDOSOS e as CRIANÇAS, conforme desabafou o ancião da comunidade, Sr. Genésio, com 83 anos à época, um dos quilombolas mais antigos de Camburi. Hoje ele tem 85 anos e é CADEIRANTE, pessoa com deficiência fisica (locomotora e visual).

Saiba mais sobre sr. Genésio dos Santos – BIBLIOTECA VIVA DE CAMBURY

http://estacaomemoriacamburi.wordpress.com/protagonistas/sr-genesio-dos-santos-a-memoria-viva-de-cambury-esquecida/

Pouca atenção tem sido dedicada ao segmento dos IDOSOS e das CRIANÇAS que moram no Quilombo, que continuam carecendo de TRÊS PONTES na comunidade, meio de travessia de um ponto a outro. As vezes as crianças deixam de ir à escola, principalmente quando aumenta o nível do rio que desagua no mar. Idosos (negros e caiçaras) estão impossibilitados de locomoção.

O poder público parece desdenhar a situação, que se arrasta por longo tempo. Para os moradores, não há garantia mínima de acessibilidade, nem garantia do direito humano fundamental de ir e vir.

Em pelo menos 3 (três) locais ao longo do rio há dificuldades para a travessia.

Há necessidade urgente de construção de 3 (três) pontes a fim de garantir o direito fundamental de IR e VIR. Orçamentos já foram feitos, mas nada de contrução das pontes até agora.

Queremos atravessar, mas não podemos

A história se repete: As eleições se aproximam e os moradores não aguentam mais receber promessas…
Quem mora em Cambury reclama já estar cansado da verbiagem oca dos que apenas se aproveitam de sua vulnerabilidade. Que fazem apenas FUZARCA!!!

O objetivo deste post é divulgar amplamente o (des)caso nas redes sociais e nos circuitos dinâmicos da Internet, a fim de solucionar a questão. Como cidadão paulistano, amigo e parente próximo das referidas comunidades, empenho-me em colaborar com os moradores, encaminhando o problema, para averiguação e providências.

As Comunidades aguardam Solução!!!

Ass.: Edison Santos, consultor técnico do ITS Brasil e pós-graduando em Ciência da Informação na ECA-USP.

Realidade de povos indígenas brasileiros em discussão

Não há dados precisos, mas estimativas apontam que a população indígena no Brasil poderia ser de até 10 milhões de habitantes quando os portugueses descobriram o país. A Funai calcula que cerca de 1.300 línguas eram faladas pelas muitas sociedades indígenas que povoavam o Brasil. Atualmente, porém, esse panorama é bem diferente. A dizimação dos povos indígenas é uma das ignomínias da nossa história.

A Editora Unesp resgata títulos que compõem um quadro da realidade indígena brasileira, abordando a questão sob diferentes pontos de vista e buscando contemplar da forma mais ampla possível a complexidade do tema. A série de livros publicados em parceria com o Instituto Socioambiental e o Núcleo de Transformações Indígenas reúne estudos realizados por antropólogos sobre diversas sociedades indígenas. São seis títulos que apresentam um quadro detalhado da realidade cultural e histórica das tradições dos povos pesquisados.

O livro Educação indígena x educação escolar indígena (110 págs, R$ 26) traz a discussão da instituição da escola, particularmente do ensino escolar de matemática, entre os Kuikuro, e opõe educação escolar indígena e educação indígena. O autor descreve a construção dos procedimentos didáticos referenciados ao cotidiano e às práticas rituais na aldeia, enfocando o sistema numérico Kuikuro e a construção de formas geométricas, notadamente a elipse e a hipérbole, em diversos artefatos, na arquitetura e na disposição espacial da aldeia.

Educação indígena

Filhos da cobra de pedra (361 págs, R$ 50) é um estudo da organização social tuyuka. Seu horizonte teórico é o sistema social do Uaupés, a respeito do qual várias descrições de grande valor etnográfico já foram publicadas. As informações sobre os Tuyuka da área da fronteira Brasil-Colômbia contribuem para adensar o entendimento dos grupos Tukano Orientais e da região do alto rio Negro.

Filhos da cobra de pedra

No livro A duração da pessoa (448 págs, R$ 55), Elizabeth Pissolato compõe um mapa geral das aldeias Mbya Araponga e Parati Mirim. Apresenta a população, formas de ocupação das aldeias, particularidades de liderança, organização do trabalho e reza. E sob o ponto de vista da cosmologia Mbya, trata da questão da não-durabilidade da vida humana, a doença, da noção de alma e dos nomes próprios.

A duração da pessoa

(480 págs, R$ 55) é um estudo situado na confluência da História com a Antropologia. A obra conta a história de um pequeno grupo humano, composta a partir de uma documentação secundária e pouco expressiva somada a relatos locais. O livro busca a visão que os herdeiros deste grupo têm dessa história, e ainda o papel que essa visão exerce na vida social – um ser, um ver e um fazer entretecidos.

Os dados empíricos somados ao tratamento das fontes históricas produziram a obra Cidade do Índio (448 págs, R$ 55), que elucida as premissas sociocosmológicas pelas quais os grupos indígenas descrevem e vivenciam as transformações sociais vividas na região desde o início da colonização no século XVIII. Nessa linha, o antropólogo Geraldo Andrello constrói sua narrativa visando preservar um ponto de vista indígena e seu repertório simbólico, guiando-se pelo estilo das próprias descrições nativas e oferecendo um quadro para a compreensão dessa realidade.

O nome e o tempo dos Yaminawa

Com base em uma detalhada etnografia do caráter inflacionário do consumo entre os índios Xikrin, Economia Selvagem (456 págs, R$ 55), de César Gordon, nos mostra que o desejo indígena pelos objetos que lhes são estrangeiros não é exótico. Ao contrário, é a expressão de um propósito e de uma história propriamente indígenas, com profundas conexões com a cosmologia, o sistema ritual e o parentesco.

Em Um peixe olhou para mim (400 págs, R$ 49), por sua vez, encontra-se um dos mais fecundos conceitos etnológicos recentes, o perspectivismo sociocosmológico ameríndio. Escrita por Tânia Stolze Lima, a obra é baseada em um trabalho de campo clássico – de inserção total na comunidade estudada e isolamento do mundo branco –, mas a sistematização das informações etnográficas é realizada sem a pressuposição de uma unidade “a ser buscada por meio das categorias da finalidade cultural, da causalidade sociológica ou da totalidade hierárquica”.

Enfrentando os desafios teóricos da etnologia amazônica, Cristiane Lasmar acompanha as transformações que ocorrem no modo de vida dos índios quando eles deixam suas comunidades de origem e passam a residir na cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM). Sua obra, De volta ao lago de leite (288 páginas, R$ 37), analisa as concepções cosmológicas dos índios, observando o modo como o material “civilizado” é apreendido e apropriado pelos Tukanos e Aruaque. O livro estuda ainda como eles constroem a imagem dos índios para si mesmos e como concebem os brancos, as cidades e suas relações com ambos.

Veja também:

* O caminhar sob a luz: território mbya à beira do oceano (200 págs, R$ 38), de Maria Inês Ladeira

* Caminhos da Identidade – ensaios sobre a etnicidade e multiculturalismo (256 págs, R$ 39), de Roberto Cardoso de Oliveira

Os livros da Fundação Editora da Unesp podem ser adquiridos pelo site: www.editoraunesp.com.br ou www.livrariaunesp.com.br

Fonte: Editora UNESP

I Simpósio “A População Negra na Ciência e Tecnologia” – Gratuito e aberto ao público!

O I Simpósio “A População Negra na Ciência e Tecnologia” visa incentivar a reflexão sobre a participação da população negra no universo acadêmico, promover trabalhos científicos voltados para a promoção do desenvolvimento e da equidade social e apontar ações para o futuro da população negra no cenário cientifico e tecnológico brasileiro.

Apresentação

A População Negra na Ciência e Tecnologia

A política científica e tecnológica brasileira afirma, dentre outras coisas, que destina-se à formação de recursos humanos para engendrar o pensamento científico e o desenvolvimento tecnológico do país.

Parte do potencial humano brasileiro, no entanto, não está representada nesse contexto: a população negra. Essa exclusão nega a própria função da política científica nacional. Por esse motivo, o I Simpósio: a população negra na Ciência e Tecnologia visa incentivar a reflexão sobre a participação da população negra no universo acadêmico, promover trabalhos científicos voltados para a promoção do desenvolvimento e da equidade social e apontar ações para o futuro da população negra no cenário cientifico e tecnológico brasileiro.

O Simpósio será aberto àqueles que de alguma forma se identifiquem com o tema e contemplará todas as áreas do conhecimento cientifico nos níveis de graduação e pós –graduação. Serão realizadas mesas redondas, palestras e apresentação de trabalhos científicos.

Programação disponível em: http://www.usp.br/lafac/simposio/

Maiores Informações: SEPPIR: (061) 3411-3653 / LAFAC: (019) 3565-4272 – simposio@fzea.usp.br

Isimpósio

I Simpósio População Negra na C&T

OBJETO DE ESTUDO OU DE DESEJO? MULHERES: UM POTE ATÉ AQUI DE MÁGOAS

por Edison Luís dos Santos

Introdução: homenagem à Hipátia

Quando o filósofo Santo Agostinho (354-430 d.C.), um dos pais dos princípios eclesiais da autoridade cristã, afirma que “A mulher não foi feita à imagem de Deus” (Mulier non facta est ad imaginem Dei), introduz um novo estatuto para a representação da mulher, determinante para a domesticação dos costumes medievais e a difusão da misoginia medieval. Nessa mesma época em que o cristianismo se firmava pela cólera e o radicalismo no combate às heresias que desafiavam sua doutrina(1), Hipátia, mulher pioneira nos estudos científicos e que contribuiu para o desenvolvimento da matemática, foi assassinada por se negar à conversão. Em nome dos costumes, os monges de Cirilo assassinaram-na sem escrúpulo(2).

Embora pouco conhecida na história, Hipátia foi a primeira mulher assassinada por ser uma pesquisadora da ciência. Era a filha mais bonita de Teão, bibliotecário em Alexandria, que havia escrito tratados de geometria e música. Seu pai era um erudito reconhecido, mas ela o superou em tudo e chegou a possuir o domínio total da astronomia e matemática de seu tempo. Escreveu textos densos e foi autora de: Comentário sobre a aritmética de Diofanto; Comentário sobre as Crônicas de Apolônio e uma edição de um escrito em que seu pai divulgou o Almagesto de Ptolomeu. Lamentavelmente não restou absolutamente nada, porque seus escritos foram destruídos.

Na primavera de 415 d.C., uma multidão de monges devotos, liderados por um homem chamado Pedro, seguidor do venerável Cirilo, bispo de Alexandria, sequestrou-a. Hipátia se defendeu e gritou, mas ninguém ousou ajudá-la. O terror se impôs e, dessa forma, os monges puderam levá-la até a igreja de Cesário. Ali, à vista de todos, golpearam-na brutalmente com telhas. Arrancaram-lhe os olhos e a língua. Quando já estava morta, levaram o corpo para um lugar chamado Cinaro e o despedaçaram, arrancaram os órgãos e os ossos e finalmente queimaram os restos. A intenção final não era outra senão a aniquilação sumária de tudo quanto Hipátia significava como mulher.

NOTAS

(1) Na maioria dos textos medievais que versam sobre demonologia, a vítima do diabo, por excelência, é a mulher, cujo fundamento encontra-se nas crenças da Antiguidade (Velho Testamento) que são também largamente difundidas na Idade Média pelos valores morais incorporados pelo cristianismo. (Ver: Deus e o Diabo: a pedagogia do medo. In: Nogueira, 2000: 42).

(2) Cirilo era sobrinho de Teófilo, o causador da destruição do Serapeum. Tinha um destino determinado e o cumpriu. De 412 d.C. a 444 d.C., regeu o rumo espiritual dos alexandrinos. Não suportou a sabedoria de Hipátia, capaz de pôr em dúvida as doutrinas cristãs ao exercer, com modéstia, o método científico. Damáscio relata que “Cirilo se corroia a tal ponto que tramou o assassinato dessa mulher de maneira que acontecesse o mais cedo possível […] (Vida de Isidoro, 79, 24-25)”. (BÁEZ, 2006: 109).

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