Universidade de Aveiro disponibiliza mais de 2500 livros sobre África e Oriente

A Universidade de Aveiro, através do projeto “Memória de África e do Oriente”, tem já online mais de 2500 obras, referentes à história dos países de Língua Portuguesa, durante a administração colonial.

14/02/2013

O projeto, que existe desde setembro de 1996, é executado pela Universidade de Aveiro e pelo Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento (CESA) de Lisboa e tem contado com a participação de instituições de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Goa.

No site, com o endereço http://memoria-africa.ua.pt além de registos bibliográficos para orientação de investigadores e curiosos, estão agora disponíveis e com livre acesso obras digitalizadas que vão desde livros da escola primária do tempo colonial, a relatórios de antigos governadores das então colônias e outros documentos oficiais.

Entre outras “preciosidades” já digitalizadas contam-se os três volumes da “História Geral de Cabo Verde”, várias obras do cientista e poeta cabo-verdiano João Vário, toda a coleção do Boletim Geral das Colónias, a revista do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa de Bissau Soronda (1986-2009), o Boletim Cultural do Huambo em Angola, e “O Oriente Português”, da responsabilidade da Comissão de Arqueologia da Índia Portuguesa, publicado entre 1905 e 1920 e retomado entre 1931 e 1940.

De acordo com Carlos Sangreman, da Universidade de Aveiro, o projeto “Memória de África e do Oriente” em dezembro atingiu 353.991 registos bibliográficos e 343.819 páginas digitalizadas e a base de dados já vai ser acrescentada.

“Temos trabalhado com muitas instituições portuguesas, sendo a ultima a Biblioteca Nacional que nos disponibilizou 67 mil registos que irão ser colocados na base à medida que formos conseguindo compatibilizar o formato”, esclarece aquele responsável.

A “biblioteca digital” permite já ler através da internet obras digitalizadas de Angola, Cabo Verde, Goa, Guiné, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor, acervo que pode ser enriquecido se os particulares que possuem obras em casa facultarem a sua digitalização ou referenciação.

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A “biblioteca digital” permite já ler através da internet obras digitalizadas de Angola, Cabo Verde, Goa, Guiné, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor.

Fonte: http://observalinguaportuguesa.org/pt

Imaginário e Literatura: livros que valorizam a cultura brasileira e africana

Conheça mais sobre essa cultura tão presente no nosso imaginário

 

Literaturas que valorizam a diversidade étnica e cultural afro-brasileira e africana são uma ótima alternativa para abordar os conteúdos exigidos pela lei 10.639, que obriga o ensino da “História e Cultura afro-brasileira e africana” nas escolas de Ensino Fundamental e Médio das redes pública e privada de todo Brasil.

Veja 14 dicas de livros recomendados para pais, filhos e professores sobre o tema. Confira também o índice de autores negros do Literafro, portal de estudos de literatura afro-brasileira da Universidade Federal de Minas Gerais.

Para ler, clique nos itens abaixo:

1. Menina Bonita do Laço de Fita – Ana Maria Machado
A autora coloca em cena, através da história de um coelho branco que se apaixona por uma menina negra, alguns assuntos muito debatidos nos dias de hoje, como a auto-estima das crianças negras e a igualdade racial.
2. Luana, A Menina Que Viu O Brasil Neném – Oswaldo Faustino, Arthur Garcia e Aroldo Macedo
O livro conta a história de Luana, uma menina de 8 anos que adora lutar capoeira, e a historia do descobrimento do Brasil. Ao lado de seu berimbau mágico, ela leva o leitor a outras épocas e lugares e mostra o quão rica é a cultura brasileira, além da importância das diferentes etnias existentes por aqui.
3. O Menino Marrom – Ziraldo
O Menino Marrom conta a historia da amizade entre dois meninos, um negro e um branco. Através da convivência aventureira dessas crianças ao longo de suas vidas, o autor pontua as diferenças humanas, realçando os preconceitos em alguns momentos.
4. Lendas da África – Júlio Emílio Brás
O livro mostra fábulas tipicamente africanas para leitores de todo mundo. Nas histórias, o autor mostra um pouco do folclore africano, além de passar valores do “tempo em que os animais ainda falavam” para as crianças.
5. Terra Sonâmbula – Mia Couto
Primeiro livro do autor africano, Terra Sonâmbula foi considerado um dos doze melhores romances do continente no século 20. Numa estória emocionante sobre o encontro de um menino sem memória e um velhinho meio perdido pelo mundo, Mia Couto mistura símbolos tradicionais da cultura e da história moçambicana.
6. Meu avô um escriba – Oscar Guelli
A história se passa na África, mais precisamente no Egito. O pequeno Tatu é neto de um escriba. A convivência com o avô permitirá ao menino aprender cálculos, a ter contato com tradições mais antigas de seu país e a se preparar para também ser um escriba um dia.
7. O Cabelo de Lelê – Valéria Belém
Lelê é uma linda menininha negra, que não gosta do seu cabelo cheio de cachinhos. Um dia, através de um fantástico livro, começa a entender melhor a origem de seu cabelo e, assim, passa a valorizar o seu tipo de beleza.
8. A varanda Do Frangipani – Mia Couto
O romance policial moçambicano é marcado por palavras criadas pelo próprio autor, nascido no país onde se passa a trama. A história conta sobre o violento colonialismo em Moçambique e a superação do país a partir dessa cicatriz histórica.
9. Bia na África – Ricardo Dregher
O livro é parte da coleção “Viagens de Bia”. Nessa estória, Bia viaja por diferentes países da África, como Egito, Quênia e Angola. Na aventura, a garotinha conhece, entre outras curiosidades, a história do povo árabe e dos nossos antepassados negros, que vieram como escravos da África para o Brasil há muitos anos.
10. Avódezanove e o segredo do soviético – Ondjaki
Em Luanda, capital da Angola, África, as obras de um mausoléu realizadas por soldados soviéticos ameaçam desalojar morados da PraiaDoBispo, bairro da região. As crianças do bairro percebem as mudanças com olhares desconfiados. Talvez elas sejam as primeiras a perceber que a presença dos soldados soviéticos significa mais do que uma simples reforma espacial.
11. Tudo Bem Ser Diferente – Todd Parr
A obra ensina as crianças a cultivar a paz e os bons sentimentos. O autor lida com as diferenças entre as pessoas de uma maneira divertida e simples, abordando assuntos que deixam os adultos sem resposta, como adoção, separação de pais, deficiências físicas e preconceitos raciais.
12. Diversidade – Tatiana Belinky
O livro mostra, através de versos, porque é importante sermos todos diferentes. A autora fala que não basta reconhecer que as pessoas não são iguais, é preciso saber respeitar as diferenças.
13. Num tronco de Iroko vi a Iúna cantar – Erika Balbino
Acompanhando as aventuras dos irmãos Cosme, Damião e Doum e seus amigos, os leitores entram em uma jornada que revela a relação do corpo com a música e aproxima as crianças da capoeira por meio de figuras lendárias das religiões de matriz africana. Além do enredo e das ilustrações do grafiteiro Alexandre Keto, um CD com a narração da história pela própria autora e cheio de cantos de capoeira e de Umbanda valorizam ainda mais essa luta, que é apresentada como dança, arte e jogo também.
14. Amanhecer Esmeralda – Ferréz
O livro conta a história da garota Manhã, negra, pobre e com grandes responsabilidades mesmo com tão pouca idade. Manhã tem sua vida transformada ao ganhar um vestido esmeralda de seu professor, que faz com que ela mude a forma como se vê e como vê o mundo ao seu redor.

Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/12-dicas-literatura-afro-brasileira-africana-729395.shtml

Toques e tambores: Canto dos escravos por C. de Jesus

TOQUES E TAMBORES

Os atabaques dos rituais afro-brasileiros entabulam conversas significativas no momento em que são acionados por mãos hábeis de tocadores especialmente preparados para tocá-los. Cada toque evoca um determinado Orixá, cujo discurso expressa uma mensagem singular, conta alguma história, evoca uma narrativa. O tocador dos tambores rituais precisa conhecer o toque adequado para cada Orixá (vodum, inquice, encantado etc.). Cada narrativa representada pela dança ritual de um Orixá faz alusão a uma determinada passagem, de modo que há diferentes toques para expressar diferentes situações: conquistas, alegrias, movimento, lentidão, cansaço, realeza, harmonia, suavidade, conflitos. Enfim, a própria vida.

Canto dos escravos

Clementina de Jesus interpreta o belíssimo Canto II, do Álbum O Canto dos Escravos, LP prensado em 1982, contendo cantos ancestrais dos negros benguelas, de São João da Chapada, Diamantina, Minas Gerais. Canto II (Canto dos Escravos)

Muriquinho piquinino, muriquinho piquinino,

Ô parente,

De quissamba na cacunda.

Purugunta aonde vai, purugunta aonde vai,

Ô parente,

Pro Quilombo do Dumbá. (x2)

Muriquinho piquinino, muriquinho piquinino,

Ô parente de quiçamba na cacunda.

Purugunta aonde vai, purugunta aonde vai,

Ô parente,

Pro Quilombo do Dumbá. (x2)

Ê, chora, chora Gongo,ê dévera, chora Gongo chora,

ê, chora, chora Gongo, ê cambada, chora Gongo chora.

Muriquinho piquinino, muriquinho piquinino,

Ô parente de quissamba na cacunda.

Purugunta aonde vai, purugunta aonde vai,

Ô parente,

Pro Quilombo do Dumbá. (x2)

Ê, chora, chora Gongo,ê dévera, chora Gongo chora,

ê, chora, chora Gongo, ê cambada, chora Gongo chora.

Muriquinho piquinino, muriquinho piquinino,

Ô parente,

De quissamba na cacunda.

Purugunta aonde vai, purugunta aonde vai,

Ô parente,

Pro Quilombo do Dumbá. (x2)

Muriquinho piquinino, muriquinho piquinino,

Ô parente de quiçamba na cacunda.

Purugunta aonde vai, purugunta aonde vai,

Ô parente,

Pro Quilombo do Dumbá. (x2)

Ê, chora, chora Gongo,ê dévera, chora Gongo chora,

ê, chora, chora Gongo, ê cambada, chora Gongo chora.

Muriquinho piquinino, muriquinho piquinino,

Ô parente de quissamba na cacunda.

Purugunta aonde vai, purugunta aonde vai,

Ô parente,

Pro Quilombo do Dumbá. (x2)

Ê, chora, chora Gongo,ê dévera, chora Gongo chora,

ê, chora, chora Gongo, ê cambada, chora Gongo chora.

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Saiba mais:

http://jornalggn.com.br/blog/implacavel/toques-e-tambores-no-candomble

Documentário “Esse Rosário é Meu”

O documentário Esse Rosário é Meu foi produzido a partir de entrevistas realizadas com os congadeiros das cidades de São João del-Rei, Santa Cruz de Minas e Tiradentes, no período de 6 a 14 de abril. Inclui participações especiais e cenas gravadas no Cortejo Congadeiro.

Esse Rosario é Meu (YouTube)

Sinopse

ESSE ROSÁRIO É MEU de Antonio Gil Leal é um panorama afetivo desta riquíssima manifestação nas Vertentes das Minas Gerais, a congada. Porém, acima de tudo retrata o congadeiro, o negro brasileiro que resiste com astúcias ao processo de transformação no tecido social suburbano e campestre. O filme procura investir, de forma poética, na reelaboração dos elementos simbólicos católicos sobrepostos ao texto ágrafo de origem africana, criando um sistema singular, um hipertexto enraizado na tradição oral.

Equipe

Direção de fotografia e montagem: Antonio Gil Leal
Som direto e finalização de som: Antonio Carlos de Jesus
Câmera adicional: Rafael Biondi
Material de arquivo: André Mendes
Produção: Zilvanildo da Silva Lima
Pesquisa: Natalia Cristina Oliveira
Fotografia de bastidores: Paulo José Oliveira Amaro
Projeto gráfico: Maria José Boaventura

Teia da Diversidade: diálogos interculturais em Natal-RN

Sobre a TEIA da Diversidade

A Teia é o encontro dos Pontos de Cultura do Cultura Viva e das representações da Diversidade que integram o Brasil Plural. Em sintonia com as estratégias e diretrizes gerais do Plano Nacional de Cultura, a Teia Nacional da Diversidade 2014 inaugurará um espaço para encontro, reconhecimento, convivência, reflexão, formação e divulgação de temas prioritários de grupos, coletivos, comunidades, Pontos de Cultura e iniciativas que integram os Programas Cultura Viva e Brasil Plural.

A TEIA da Diversidade tem o objetivo de consolidar o Programa Nacional de Promoção da Cidadania e da Diversidade Cultural – Cultura Viva (PCV) como o programa de base comunitária do Sistema Nacional de Cultura. Também é um espaço que se propõe a refletir criticamente sobre: a  proposta de realinhamento do novo PCV para um programa de base comunitária, a partir da Portaria 118 de 30 de dezembro de 2013; O processo de integração de programas, projetos e ações do Sistema MinC ao Cultura Viva; E sobre as contribuições da TEIA 2014 para o desenvolvimento do Programa.

Em 2014, além dos Pontos e Pontões de Cultura a TEIA incorpora ao seu público estruturante os grupos do Encontro da Diversidade, que agrega segmentos das políticas setoriais atendidos pelo Programa Brasil Plural. Fazem parte destes segmentos grupos de Culturas Populares, Culturas Indígenas, Culturas Ciganas, LGBT, Crianças, Idosos, Juventude, Hip-Hop, Pessoas com Deficiência, Saúde Mental, Trabalhadores Urbanos, Povos de Terreiro, Quilombolas, Imigrantes, Mulheres, Trabalhadores Rurais, Mestres e Griôs.

As atividades da Teia Nacional da Diversidade 2014 incluem as TEIAS estaduais, encontros para preparação e envolvimento da sociedade civil participante. No âmbito nacional, foram realizadas quatro edições do encontro: Teia 2006 – Venha Se Ver e Ser Visto, São Paulo (SP), Teia 2007 – Tudo de Todos, Belo Horizonte (MG), TEIA 2008 – Iguais na Diferença, Brasília (DF), e TEIA 2010: Tambores Digitais, Fortaleza (CE).

 

Programação

Na TEIA da Diversidade, a cultura brasileira se manifesta em mostras artísticas – shows, espetáculos de todo tipo, performances – e nos diálogos proporcionados  por seminários, palestras, minicursos, fóruns, exposições, debates, rodas de conversa, intercâmbios e intervenções urbanas.

Espaços do encontro

De 19 e 24 de maio, a TEIA da Diversidade acontece no anfiteatro do Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e no Campus Cidade Alta do Instituto Federal do RN (IFRN). Localizados em pontos extremos de Natal, o acesso é fácil e próximo a shoppings, hotéis, pousadas, restaurantes e espaços culturais. A UFRN está localizada às margens da BR 101 no início da Avenida Salgado Filho, uma das principais da cidade e vai sediar palestras, oficinas, a Feira da Economia Solidária e Criativa, o Fórum Potiguar de Comunicação, o Fórum Nacional dos Pontos de Cultura Indígenas, além das apresentações da Mostra Artística. A TEIA acontece no arredores do anfiteatro do Campus, além do Centro de Convivência. Do outro lado da cidade, já na Cidade Alta, acontece no IFRN- Instituto Federal do RN o outro pólo de concentração da TEIA.

Clique aqui para fazer o download da programação parcial, atualizada em 2 de maio de 2014.

Espaços do encontro De 19 e 24 de maio, a TEIA da Diversidade acontece no anfiteatro do Campus da UFRN.

Espaços do encontro
De 19 e 24 de maio, a TEIA da Diversidade acontece no anfiteatro do Campus da UFRN.

Link para download da PROGRAMAÇÃO DA TEIA

http://culturadigital.br/teiadadiversidade/files/2014/05/Programac%CC%A7a%CC%83o-da-TEIA-da-Diversidade-Atualizada-em-02.05.2014.pdf

 

Difusão cultural: “Povos e Comunidades Tradicionais: Território, Conhecimento e Direitos

Período: 31 de outubro a 04 de novembro de 2011

Horário: 19h00 às 22h30 (atividades opcionais de orientação e discussão de projetos dos participantes das 16h00 às 18h30)
Local: NUPAUB – Av. do Anfiteatro 181 – Colméias – Favo 6, Cidade Universitária São Paulo/SP

Pré-inscrição*: de 1º a 21 de setembro de 2011
Resultado da seleção*: 23 de setembro de 2011

Inscrição*: de 24 a setembro a 1º de outubro de 2011
Número limitado de vagas: 30

Taxa de inscrição: R$ 100,00. Estão previstas 3 bolsas para alunos da USP.

Certificados: serão conferidos certificados aos participantes com 85% de frequência.

Informações: 11 3091-3142/3425
E-mail: nupaub@usp.br / site: www.usp.br/nupaub

* realizados somente pelo site

Realização: NUPAUB

Dias: 31/10/11 a 04/11/11

Horários: das 19h00 às 23h00 (atividades opcionais: das 16h00 às 18h30)

Programação

Ficha de Inscrição

Fonte:

Relatório comprova parceria entre governo capixaba e ex-Aracruz para tomar terras quilombolas

by Flavia Bernardes

A transformação da natureza em produto comercial, sob a tutela do governo do Estado, por pouco não extinguiu as comunidades quilombolas que resistem no norte do Estado (ES). A conclusão é do relatório “Impactos do monocultivo em Direitos Humanos de Grandes Projetos”, apresentada na tarde dessa quinta-feira (27.5), na Assembléia Legislativa. O documento concluí que o conluio entre poder público e Aracruz Celulose (Fibria) submete até os dias de hoje as comunidades a um silêncio que desafia qualquer razão democrática.

O relatório comprova a prática de violência e discriminação praticada há anos pela Aracruz Celulose (Fibria) e o poder público. Mostra ainda as dezenas de processos judiciais contra a empresa engavetados pela Justiça local, o que resultou no limite do desenvolvimento destas comunidades.

O objetivo, afirmam os realizadores, é propor um novo olhar sobre o licenciamento de grandes projetos no Estado. A ideia é que o Estudo e Relatório de Impacto sobre Direitos Humanos em Grandes Projetos (EIDH/RIDH), transformado em resolução na IX Conferência Nacional de Direitos Humanos de 2004, e assim como o Relatório de Impactos Ambientais, se transformem em pressuposto para avaliação de implementação dessas propostas em Estados e Municípios.

A lógica de realizar apenas um Estudo de Impacto Ambiental não acompanha os desafios contemporâneos, não contempla os direitos humanos. Este estudo é a proposta de uma nova metodologia, de um estudo que avalie a implantação de grandes projetos sob olhar da população envolvida”, ressaltou Gilmar Ferreira, do Movimento Nacional de Direitos Humanos do Espírito Santo.

Como objeto de estudo,  os pesquisadores responsáveis pelo relatório entrevistaram, fotografaram e documentaram a vida dos quilomboals que vivem na reigão do Sapê do Norte, região que abrange áreas do município de São Mateus e Conceição da Barra e relataram o empobrecimento da cultura e tradição e o nascimento de um violento processo de criminalização destas comunidades através da ocupação de terras pelos monocultivos de eucalipto, iniciados e mantidos há 40 anos pela Aracruz Celulose (Fibria).

Em resumo, estas comunidades foram submetidas a ameaças; força policial; parcialidade da Justiça local e estadual – chegaram a mover 130 policiais munidos e apoiados por cachorros, cavalos e micro-ônibus para coagir os negros – sob a justificativa de que a área ocupada pela Aracruz, era e sempre foi terra particular da empresa.

Havia uma lógica antes da Aracruz Celulose chegar nestas terras, que era a lógica das terras livres. Estas terras foram ocupadas com o fim da escravidão, estes negros não estavam lá por acaso. São a prova da resistência. Mas a empresa e o governo arranjaram um jeito de expulsar os quilombolas e defender que ali não era terra de ninguém.”, ressaltou Jefferson Gonçalves Correia, da comissão de elaboração do estudo.

Segundo Correia, as histórias de requerimento de terras do Estado por funcionários da Aracruz Celulose estão relatadas ponto a ponto no relatório, demonstrando inclusive a venda posterior das mesmas terras á transnacional por preços muito acima do mercado.

Os funcionários depois chegaram a afirmar que nunca haviam pisado naquelas terras, que aquilo foi um favor para o chefe, que contou a ele que nestas terras não vivia ninguém e que queriam, portanto, apenas um favor para a empresa”, ressaltou Jefferson Correia.

Desta forma, foram ‘legalizados’ 22 mil hectares de terras com a ajuda de 29 laranjas à serviço da Aracruz Celulose.

A ilegalidade foi denunciada à Procuradoria de Conceição da Barra e São Mateus e ao Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), mas todos silenciaram sobre o caso.

Nesse contexto, aos quilombolas acostumados a construir sua base de vida através da natureza, foram ficando cada vez mais ilhados entre os eucaliptais e pobres de recursos naturais para manter suas vidas. Atualmente, vivem em condições de subsistência; sob uma terra fragilizada e incapaz de produzir alimentos; expostos aos venenos e desamparados de políticas públicas.

Há ainda novos empreendimentos que chegam à região com o mesmo desrespeito visto no passado. Desta vez, o gasoduto Cacimba-Catu, da Petrobras, vem passando ‘por cima da cabeça dos quilombolas’ desrespeitando convenções, pactos, marcos jurídicos e pactos. Sem consultar a comunidade, o gasoduto passou ao lado de farinheiras inviabilizando o seu funcionamento, assim como atravessou o pátio da escola da comunidade quilombola de São Jorge, inviabilizando a única área de lazer das crianças.

Um aterro também vem sendo construído na região habitada pelos quilomboas como mais um sinal de desrespeito e indiferença do poder público.

Entretanto, lembram os quilombolas durante a apresentação do relatório, “diante do documento, não há mais como ignorar os desrespeitos à comunidade”. Eles afirmam que não aceitarão mais ser chamados de mentirosos ou baderneiros por lutarem por seus direitos e que, apesar da tentativa do poder público de ‘esvaziar’ a apresentação do relatório, o documento será levado ao Ministério da Justiça, que não poderá se furtar diante das comprovações apresentadas.

Emprençamento’ é uma palavra inventada pelos quilombolas para retratar a situação vivida pelas comunidades quilombolas do Sapê do Norte. O monocultivo de eucalipto implantado pela Aracruz Celulose (Fibria) reduziu as possibilidades de trabalho na região, afetou a estrutura familiar, a segurança alimentar e, neste sentido, mudou radicalmente o modelo de vida destas comunidades.

Na região, denunciam, faltam água potável, saneamento, terra para plantar e oportunidade de geração de renda.

Monocultivo de eucalipto reduziu as possibilidades de trabalho, afetou a estrutura familiar e a segurança alimentar dos quilombolas. Foto: Ricardo Medeiros

Além disso, pelo menos 58 pessoas foram identificadas pelo relatório como  vítimas de perseguição, constrangimento ou criminalização através da ação da Visel e da Garra – milícia armada da Aracruz Celulose (Fibria). A garra, inclusive, pertence a Claudio Farina, irmão de Alexandre Farina, ex-juiz do município de Aracruz, que durante anos contribuiu para a criminalização das comunidades, conforme as denúncias dos negros.

O relatório mostra ainda que falta eco às denúncias dos quilombolas mesmo diante de mortes por envenenamentos de crianças, invasões de domicílio e prisões comprovadamente arbitrárias. As mulheres, antes agricultoras e donas de casa, hoje foram transformadas em trabalhadoras industriais responsáveis pela aplicação de venenos e, entre elas, não faltam histórias de mães que acompanham o envenenamento de sues filhos na região, mas que não conseguem vislumbrar outro meio de trabalho.

Segundo Gilsa Barcelos, coordenadora do trabalho de elaboração do relatório, essa situação é fomentada por um imenso passivo do Estado brasileiro com as comunidades; o não reconhecimento das agencias do governo federal, estadual e municipal dos estatutos jurídicos dos Povos e Comunidades Tradicionais do País; a não investigação do Ministério da Justiça dos abusos cometidos pelas delegacias de polícia de São Mateus e Conceição da Barra; entre outros.

Apesar do teor e da riqueza de informações relatadas no documento, a participação do poder público no evento foi praticamente nula. Tanto os órgãos ligados à fiscalização da empresa como o Instituto de Defesa Agropecuária e Floresal (Idaf) quanto os órgãos defensores dos direitos da população capixaba viraram as costas para o problema e não compareceram à apresentação.

Segundo Jefferson Gonçalves Correia, o governo estadual comprovou a postura omissa apresentada ao longo deste quarenta anos ‘silenciando para o que não existe’.

Também não compareceram a apresentação do relatório as empresas Aracruz Celulose (Fibria), Visel e Garra, representantes da  Procuradoria de São Mateus ou Conceição da Barra.

Apesar disso, a intenção. segundo os responsáveis pelo estado, é não deixar que este documento seja engavetado pelas autoridades. O próximo passo, afirmam eles, é fazer com que o documento seja entregue ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto.

Fizeram parte da Comissão de Elaboração do Estudo coordenada por Gilsa Barcelos:  Amine Batista Ferreira, Sandro José Silva, Jefferson Gonzalvez Correia, Winnie Overbeek, Eduardo Moreira e Simone Batista Ferreira.

O estudo foi realizado através do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH-ES) e Programa de Proteção da Defensores de Direitos Humanos (PPDDH-ES).

Fonte: http://www.seculodiario.com.br/exibir_not.asp?id=5843