Realidade de povos indígenas brasileiros em discussão


Não há dados precisos, mas estimativas apontam que a população indígena no Brasil poderia ser de até 10 milhões de habitantes quando os portugueses descobriram o país. A Funai calcula que cerca de 1.300 línguas eram faladas pelas muitas sociedades indígenas que povoavam o Brasil. Atualmente, porém, esse panorama é bem diferente. A dizimação dos povos indígenas é uma das ignomínias da nossa história.

A Editora Unesp resgata títulos que compõem um quadro da realidade indígena brasileira, abordando a questão sob diferentes pontos de vista e buscando contemplar da forma mais ampla possível a complexidade do tema. A série de livros publicados em parceria com o Instituto Socioambiental e o Núcleo de Transformações Indígenas reúne estudos realizados por antropólogos sobre diversas sociedades indígenas. São seis títulos que apresentam um quadro detalhado da realidade cultural e histórica das tradições dos povos pesquisados.

O livro Educação indígena x educação escolar indígena (110 págs, R$ 26) traz a discussão da instituição da escola, particularmente do ensino escolar de matemática, entre os Kuikuro, e opõe educação escolar indígena e educação indígena. O autor descreve a construção dos procedimentos didáticos referenciados ao cotidiano e às práticas rituais na aldeia, enfocando o sistema numérico Kuikuro e a construção de formas geométricas, notadamente a elipse e a hipérbole, em diversos artefatos, na arquitetura e na disposição espacial da aldeia.

Educação indígena

Filhos da cobra de pedra (361 págs, R$ 50) é um estudo da organização social tuyuka. Seu horizonte teórico é o sistema social do Uaupés, a respeito do qual várias descrições de grande valor etnográfico já foram publicadas. As informações sobre os Tuyuka da área da fronteira Brasil-Colômbia contribuem para adensar o entendimento dos grupos Tukano Orientais e da região do alto rio Negro.

Filhos da cobra de pedra

No livro A duração da pessoa (448 págs, R$ 55), Elizabeth Pissolato compõe um mapa geral das aldeias Mbya Araponga e Parati Mirim. Apresenta a população, formas de ocupação das aldeias, particularidades de liderança, organização do trabalho e reza. E sob o ponto de vista da cosmologia Mbya, trata da questão da não-durabilidade da vida humana, a doença, da noção de alma e dos nomes próprios.

A duração da pessoa

(480 págs, R$ 55) é um estudo situado na confluência da História com a Antropologia. A obra conta a história de um pequeno grupo humano, composta a partir de uma documentação secundária e pouco expressiva somada a relatos locais. O livro busca a visão que os herdeiros deste grupo têm dessa história, e ainda o papel que essa visão exerce na vida social – um ser, um ver e um fazer entretecidos.

Os dados empíricos somados ao tratamento das fontes históricas produziram a obra Cidade do Índio (448 págs, R$ 55), que elucida as premissas sociocosmológicas pelas quais os grupos indígenas descrevem e vivenciam as transformações sociais vividas na região desde o início da colonização no século XVIII. Nessa linha, o antropólogo Geraldo Andrello constrói sua narrativa visando preservar um ponto de vista indígena e seu repertório simbólico, guiando-se pelo estilo das próprias descrições nativas e oferecendo um quadro para a compreensão dessa realidade.

O nome e o tempo dos Yaminawa

Com base em uma detalhada etnografia do caráter inflacionário do consumo entre os índios Xikrin, Economia Selvagem (456 págs, R$ 55), de César Gordon, nos mostra que o desejo indígena pelos objetos que lhes são estrangeiros não é exótico. Ao contrário, é a expressão de um propósito e de uma história propriamente indígenas, com profundas conexões com a cosmologia, o sistema ritual e o parentesco.

Em Um peixe olhou para mim (400 págs, R$ 49), por sua vez, encontra-se um dos mais fecundos conceitos etnológicos recentes, o perspectivismo sociocosmológico ameríndio. Escrita por Tânia Stolze Lima, a obra é baseada em um trabalho de campo clássico – de inserção total na comunidade estudada e isolamento do mundo branco –, mas a sistematização das informações etnográficas é realizada sem a pressuposição de uma unidade “a ser buscada por meio das categorias da finalidade cultural, da causalidade sociológica ou da totalidade hierárquica”.

Enfrentando os desafios teóricos da etnologia amazônica, Cristiane Lasmar acompanha as transformações que ocorrem no modo de vida dos índios quando eles deixam suas comunidades de origem e passam a residir na cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM). Sua obra, De volta ao lago de leite (288 páginas, R$ 37), analisa as concepções cosmológicas dos índios, observando o modo como o material “civilizado” é apreendido e apropriado pelos Tukanos e Aruaque. O livro estuda ainda como eles constroem a imagem dos índios para si mesmos e como concebem os brancos, as cidades e suas relações com ambos.

Veja também:

* O caminhar sob a luz: território mbya à beira do oceano (200 págs, R$ 38), de Maria Inês Ladeira

* Caminhos da Identidade – ensaios sobre a etnicidade e multiculturalismo (256 págs, R$ 39), de Roberto Cardoso de Oliveira

Os livros da Fundação Editora da Unesp podem ser adquiridos pelo site: www.editoraunesp.com.br ou www.livrariaunesp.com.br

Fonte: Editora UNESP

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